17 de outubro, 2006 - 12h51 GMT (09h51 Brasília)
O bebê africano que a cantora americana Madonna está tentando adotar chegou à Grã-Bretanha.
David Banta, nascido no Malauí, no sudeste da África, tem um ano de idade. Ele voou durante a noite, via Johannesburgo, com um guarda-costas da pop star e uma de suas assistentes.
A criança desembarcou no aeroporto de Heathrow, em Londres, na terça-feira cedo, apesar de protestos de entidades malauianas que dizem que as regras para adoção no país foram desrespeitadas para atender aos desejos da estrela.
O bebê, protegido das câmeras e dos curiosos por uma manta, permaneceu no colo da assistente enquanto estava no aeroporto.
Ele vestia uma bermuda jeans, camiseta branca e um boné. Segundo relatos, estava bastante alerta apesar do longo vôo.
Banda teria sido levado para a casa da cantora, no centro da cidade, onde mais fotógrafos aguardavam.
Circo
Segundo uma declaração divulgada durante a noite pela porta-voz da cantora, Liz Rosenberg, Madonna e o marido, o cineasta britânico Guy Ritchie, receberam custódia temporária da criança.
A decisão de um tribunal de Malauí dá aos dois o direito de cuidar do bebê pelos próximos 18 meses.
Durante esse período, o casal será “avaliado pelas cortes de Malauí”, informou a nota.
A cantora, que estava em Malauí, voltou para a Grã-Bretanha cedo na segunda-feira, mas não teria conseguido levar a criança, que ainda não tem passaporte.
Londres
De acordo com a agência de notícias Associated Press, a criança foi levada por uma mulher em um vôo da África do Sul para Londres. Guarda-costas impediram os repórteres da agência de fotografar a criança. O bebê já havia sido retirado de Malauí na segunda-feira, através de um jato particular.
Rosenberg disse à Associated Press que a cantora “fará o que puder para não transformar o caso em um circo público”.
Protestos
Um grupo de instituições de caridade do Malauí tem tentado impedir o processo. Eles dizem que a adoção é ilegal porque a cantora não morou no país.
O Comitê Consultivo de Direitos Humanos, composto por 67 instituições malauianas, informou que entraria com um recurso contra o processo de adoção. A medida, no entanto, foi adiada porque o Comitê pretende ouvir um tio de David, que seria contra a adoção.
De acordo com o diretor do grupo, Justin Dzodzi, um investigador contratado pelo Comitê foi enviado para o orfanato onde David morava, para “ter uma noção do que os moradores e familiares pensam sobre a adoção”.
O Comitê diz que as leis malauianas proíbem adoções internacionais.
De acordo com o diretor do departamento de Bem-Estar das Crianças do governo de Malauí, Penston Kilembe, Madonna e seu marido não infringiram nenhuma lei.
“O processo não começou hoje. O pessoal da Madonna tem cuidado da papelada por algum tempo, e ela só veio para assinar os papéis e concluir o processo”, disse.
A criança vivia em um orfanato de uma cidade próxima à fronteira com a Zâmbia. Sua mãe morreu de complicações decorrentes do parto. O pai do menino, Yohame Banda, concordou com a adoção.
“O que eu quero é uma vida boa para meu filho”, disse.