30 de agosto, 2006 - 16h44 GMT (13h44 Brasília)
O escritor egípcio e o único autor árabe a ganhar um prêmio Nobel de Literatura, Naguib Mahfouz, morreu na capital do país, Cairo, aos 94 anos de idade.
Ele estava hospitalizado desde julho quando sofreu uma queda durante um passeio noturno.
Naguib Mahfouz é considerado o maior escritor árabe do século 20.
Muitos de seus personagens são bastante conhecidos dos egípcios e do mundo árabe, já que várias obras suas foram transformadas em filmes e programas de TV.
Importância
A trajetória de uma família retratada na trilogia Cairo, escrita na década de 1950, lhe rendeu o prêmio Nobel em 1988.
Ele sofria problemas de saúde desde 1994, quando foi esfaqueado por um extremista islâmico, furioso por sua representação de Deus em uma de suas novelas, Filhos de Gebelawi, de 1959.
O livro foi banido por autoridades religiosas, mas posteriormente publicado no Líbano e traduzido para outros idiomas.
O escritor egípcio Ahdaf Souief, que conhecia bem Mahfouz, diz que o autor foi "nosso maior escritor vivo por muito tempo… Mahfouz foi um inovador do uso da linguagem árabe".
"Ele também personificou o desenvolvimento da novela árabe, começando com os romances históricos do final dos anos 1940, passando pelo realismo e experimentalismo."
"Ele tornou a inovação possível para gerações de escritores que vieram depois."
O presidente egípcio Hosni Mubarak prestou uma homenagem ao escritor.
"Mahfouz era uma luz cultural... que levou a literatura árabe ao mundo", disse o presidente. Mubarak acrescentou que o autor exprimiu os "valores do esclarecimento e tolerância".
Mahfouz publicou mais de 30 romances, contos, peças de teatro, colunas de jornal, ensaios, memórias e análises políticas em sua carreira.
Sua última obra, uma coletânia de histórias sobre a vida após a morte, The Seventh Heaven, foi publicada em 2005.