15 de agosto, 2006 - 23h56 GMT (20h56 Brasília)
O vencedor do Nobel de Literatura de 1999, o alemão Günter Grass, não perderá o prêmio por ter revelado que participou da tropa de elite nazista durante a Segunda Guerra Mundial, a SS, declarou nesta terça-feira a Fundação Nobel.
"As decisões são irreversíveis", declarou o presidente da entidade, Michael Sohlman.
Grass, conhecido por sua posição pacifista e de esquerda, causou polêmica na Alemanha ao revelar em uma entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung que foi selecionado aos 17 anos para ingressar na SS, onde serviu em Danzig, a atual cidade polonesa de Gdansk.
Sabia-se anteriormente que ele havia servido como soldado, até ser ferido e tomado como prisioneiro pelas forças americanas.
Brutalidade
A entrevista foi concedida antes da publicação de seu livro de memórias sobre o período da Guerra, Peeling Onions.
"O meu silêncio por todos estes anos foi um dos motivos pelos quais eu escrevi este livro", disse ele. "Finalmente desabafei."
O pedido para que ele perdesse o prêmio Nobel partiu do parlamentar do partido conservador alemão União Democrata Cristã, Wolfgang Boernsen.
Mesmo o ex-presidente polonês, Lech Walesa, sugeriu na segunda-feira que Grass deveria abdicar de sua condecoração como cidadão honorário de Gdansk, cidade que serviu de cenário para vários de seus romances.
Walesa é também um vencedor do Prêmio Nobel e cidadão honorário da cidade.
A sugestão foi rejeitada pelo prefeito, dizendo que não compete à prefeitura julgamentos históricos.
O que se sabe até agora do passado nazista de Grass é que ele integrou a divisão Waffen, especializada em combates, da SS.
A SS foi expandida para cerca de um milhão de integrantes durante a guerra e ficou famosa por sua brutalidade tanto para com civis como militares.
Eles eram responsáveis pela administração dos campos de concentração e extermínio onde milhões de pessoas, a maioria judeus, foram mortas.