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12 de julho, 2006 - 16h08 GMT (13h08 Brasília)

Farinelli, o maior dos 'castrati', é exumado na Itália

Historiadores e cientistas do Centro de Estudos Farinelli, em Bolonha, desenterraram o corpo de Carlo Farinelli, possivelmente o mais famoso dos cantores castrati, – que viveu na primeira metade do século 18 – para tentar aprofundar o conhecimento de como sua voz virtuosa de desenvolveu.

Os castrati eram muito populares e, sobretudo, reputados artistas da ópera italiana dos séculos 16 a 19.

Castrados antes da puberdade, mantinham cordas vocais pequenas que lhes possibilitavam alcançar os timbres mais altos.

Os cientistas querem descobrir os efeitos anatômicos desta operação, medindo seus ossos e crânio.

Testes de DNA poderão indicar de que Farinelli se alimentava, e que doenças teve.

Notoriedade

Um intenso treinamento conferia à voz de um castrato uma combinação virtuosa de voz masculina emitida por poderosos pulmões adultos, capaz de chegar aos extremos agudos da escala musical.

A prática nasceu na Itália do século 17, onde anualmente cerca de 4 mil garotos, em geral de famílias pobres, eram castrados a partir dos oito anos de idade.

O procedimento foi banido em 1870, mas o último castrato, Alessandro Moreschi, ainda chegou a gravar em 1902 (ouça áudio).

OuçaClique aqui para ouvir a única gravação conhecida de um castrato, Alessandron Moreschi, de 1902

Poucos castrati chegavam ao sucesso, mas os que o faziam se tornavam as estrelas artísticas de seu tempo, e se comportavam como tal.

Os que conseguiam ir além de uma vida relativamente desconhecida como cantores de ópera ou solistas de igreja cobravam cachês astronômicos e tinham legiões de admiradores.

O temperamental Farinelli, provavelmente o mais famoso dos castrati, foi enterrado em Bolonha em roupas de cavaleiro.