30 de maio, 2006 - 22h25 GMT (19h25 Brasília)
O diretor de cinema Ken Loach rebateu acusações de que seu filme The Wind that Shakes the Barley, premiado em Cannes, seja anti-britânico.
"Bobagem", disse Loach à BBC. "Poderíamos ter mostrado coisas muito piores do que o que está no filme."
Loach disse também que acusações de que seu filme poderia ser usado como folheto de recrutamento para o Exército Republicano Irlandês, o IRA, são "um chute barato" e "quase não merecem resposta".
O filme mostra os primeiros anos na história do IRA e a luta da Irlanda para se tornar independente da Grã-Bretanha na década de 20.
The Wind that Shakes the Barley acaba de ganhar a Palma de Ouro em Cannes.
Em uma coluna publicada na edição desta terça-feira do tablóide britânico The Sun o jornalista Harry McAdam diz que The Wind that Shakes the Barley é "o filme mais pró-IRA da história".
Sua trama, ele acrescenta, é "calculada para cobrir a reputação da nossa nação de lama".
'Brutalidade landária'
No tablóide britânico Daily Mail a jornalista Ruth Dudley Edwards escreveu que o objetivo do filme de Loach é "encorajar comparações diretas entre a Irlanda no período entre 1920 e 1922 e o Iraque hoje".
"Isto, naturalmente, requer que os britânicos sejam caracterizados como sádicos e os irlandeses como a resistência romântica e idealista".
A história, contada exclusivamente do ponto de vista dos personagens irlandeses, mostra soldados britânicos cometendo atos de violência indiscriminada.
Loach disse, no entanto, que seu filme mostra de forma realista a forma como os regimentos se comportavam.
"Sua brutalidade é lendária, ninguém poderia questionar isso", disse o diretor.
Ele acrescentou que o filme fala sobre "um grupo de pessoas, em sua maioria jovens, lutando para botar um exército de ocupação para fora de seu país".
"Você pode compará-los à Resistência Francesa."
Em entrevista anterior, Ken Loach, conhecido por sua oposição à guerra no Iraque, disse que há fortes paralelos entre o filme e eventos atuais.
"Existe sempre um exército de ocupação em algum lugar do mundo. E esse exército sempre encontra a resistência da população ocupada", disse Loach.
"Os britânicos, infelizmente e ilegalmente, têm um exército de ocupação no Iraque".
Antes de dirigir The Wind that Shakes the Barley, Ken Loach concorreu à Palma de Ouro sete vezes.
Vários de seus filmes são politicamente engajados.
Em 1990, o diretor ganhou o prêmio do júri em Cannes pelo drama Agenda Secreta.
O filme fala sobre a política de "atirar para matar" adotada pelo Exército britânico na Irlanda do Norte.
Tido por muitos como o mais importante diretor inglês das últimas três décadas, Loach dirigiu Meu Nome é Joe, Uma Canção para Carla, Ladybird e Terra e Liberdade.