23 de janeiro, 2006 - 21h19 GMT (19h19 Brasília)
O novo filme de Steven Spielberg, Munique, tem sido alvo de críticas tanto de israelenses quanto de palestinos, que destacam imprecisões históricas na trama.
O longa-metragem trata de forma ficcional a caçada empreendida por agentes do Mossad (serviço secreto israelense) para assassinar os palestinos acusados de organizar o seqüestro de atletas de Israel nas Olimpíadas de Munique (1972), que resultou na morte de 11 deles.
Eric Bana, ator que interpreta o agente que lidera o grupo organizado pelo Mossad para a missão, afirma que a reação negativa vinda dos dois lados é "um sinal saudável".
"Não há como fazer todos concordarem sobre o que realmente aconteceu", disse o ator australiano de 37 anos.
"Ao final das contas, temos de lidar com alguns fatos inegáveis e alguma licença poética. A forma como você liga os pontinhos não altera os temas centrais e as complexidades morais do filme."
Reação ao terror
O filme lida com uma questão fundamental: responder ao terrorismo com violência é algo justificável? Ou apenas alimenta mais terrorismo, como sugere a obra de Spielberg?
"Seria idealista dizer que você não deve responder", opina Bana. "Mas é claro que isso é diferente de acordo com as circunstâncias."
Ele acrescentou: "Tanto o filme quanto a vida real estão neste exato momento lidando com esta questão complexa."
Bana contou que Spielberg se preocupava durante as filmagens em obter um resultado que fosse "ao mesmo tempo equilibrado e estimulante".
Para interpretar o papel do agente Avner, o ator australiano passou cerca de dois anos aprendendo a história e a política do Oriente Médio, e treinando falar com sotaque israelense.
"Tendo crescido na Austrália, a história e a política do Oriente Médio não foi algo que estudei na escola, então esta era uma área em que eu realmente quis me concentrar."
Segundo ele, ter encontrado o agente do Mossad que serviu de modelo para seu personagem foi muito proveitoso.