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24 de novembro, 2005 - 19h13 GMT (17h13 Brasília)

Deputado acusa rappers de incitar violência na França

Sete cantores e bandas de rap foram acusados pelo deputado francês François Grosdidier de ter incitado as manifestações violentas ocorridas nos subúrbios do país na primeira quinzena de novembro.

A acusação vem um dia depois de 200 políticos endossarem a petição de Grosdidier, que pede uma ação legal contra rappers e bandas que ele alega terem incentivado os atos de vandalismo com suas músicas.

O deputado afirmou à rádio France-Info não ser nenhuma surpresa jovens "enxergarem vermelho" depois de ouvir músicas violentas.

O rapper Monsieur R, um dos listados na petição, rejeitou a idéia, afirmando que rap "não é um chamado à violência".

Autoridades francesas afirmaram que a situação voltou ao normal na semana passada, depois de três semanas de distúrbios em diversas cidades.

Em toda a França, quase 9 mil carros foram queimados, e cerca de 3 mil pessoas foram presas. Na semana passada, o parlamento francês aprovou uma extensão de três meses do estado de emergência no país.

'Palavras cruas'

A petição, entregue ao ministro da Justiça, Pascal Clement, foi assinada por 153 membros da Câmara baixa do parlamento e por 49 senadores.

O Departamento de Justiça disse não poder comentar a respeito do pedido por sanções legais.

Além de Monsieur R, são citados na petição os artistas Smala, Fabe e Salif, e as bandas Ministere Amer, 113 e Lunatic.

Grosdidier quer que músicas que, segundo ele, incitam o racismo e o ódio deixem de ser tocadas nas rádios.

"Quando as pessoas ouvem isso o dia inteiro e quando essas palavras ecoam em suas cabeças, não é surpresa nenhuma que eles enxerguem vermelho assim que passam por um policial ou simplesmente por pessoas que são diferentes delas", afirmou.

Monsieur R, cujo nome verdadeiro é Richard Makela, já enfrenta um outro processo por "afronta à decência social", aberto por um outro deputado conservador.

O rapper disse à televisão LCI: "O hip hop é uma arte crua, portanto utilizamos palavras cruas. Não é um chamado à violência."