02 de setembro, 2005 - 01h46 GMT (22h46 Brasília)
A Ópera Nacional da Letônia (ONL) foi impedida de apresentar a sua montagem do balé Cinderela, adaptada para se passar num bordel.
A companhia encenou o clássico de Sergei Prokofiev apenas duas vezes em Riga, capital do país báltico, antes da instituição que guarda a memória do autor protestar e conseguir a proibição de futuras exibições.
"Havia uma enorme distância entre a música original e a nova história", disse a curadora do Arquivo Sergei Prokofiev, Noelle Mann.
A companhia de ópera e balé se defendeu dizendo que se tratava de "uma história muito bonita e sincera".
A versão da ONL tinha Cinderela trabalhando como uma empregada doméstica, a madrasta como dona de um bordel e as filhas dela, como garotas de programa.
Baseado no conto de fadas, Prokofiev escreveu o balé Cinderela nos anos 40. Um dos compositores mais importantes da era soviética, ele morreu em 1953.
Sem autorização
Mann disse que a companhia deveria ter consultado a Fundação Sergei Prokofiev, que detém os direitos autorais da obra.
"A família dele está seriamente irritada com o fato de que a ONL não pediu autorização (para a adaptação), o que é uma exigência legal."
"Eles só souberam da ópera por acidente na internet. O uso do trabalho de Prokofiev sem autorização está se tornando freqüente demais."
A curadora acrescentou que o compositor escreveu o balé com uma história em mente. "Quando uma nova produção se distancia de tal forma do original há uma grande diferença entre a música e a história."
Uma porta-voz da companhia disse que a ONL respeita a opinião da Fundação Prokofiev e que não fará reservas para apresentações futuras até que os dois lados cheguem a um acordo.
"A administração da ONL está disposta a continuar o diálogo com a Fundação Prokofiev para encontrar um acordo nesta situação de forma que a audiência não seja privada de ver esse bonito balé novamente."