30 de abril, 2005 - 03h07 GMT (00h07 Brasília)
Os advogados da acusação no julgamento de Michael Jackson mostraram livros contendo imagens de meninos nus, encontrados no quarto do cantor há 12 anos.
O juiz Rodney Melville permitiu uso dos livros como provas depois de uma longa discussão entre a promotoria e a defesa.
A acusação alegava que os livros mostravam uma propensão sexual de Jackson por meninos, enquanto os advogados do cantor diziam que os livros eram muito velhos, irrelevantes para o caso e distorceriam a avaliação dos jurados.
Jackson é acusado de molestar Gavin Arvizo, com 13 anos na época do suposto abuso (2003).
As imagens foram encontradas em 1993, durante uma busca na casa do cantor em meio a uma outra acusação de abuso de menores contra o cantor – o caso foi resolvido com um acordo extrajudicial envolvendo milhões de dólares.
Os advogados mostraram as capas dos livros "Boys Will Be Boys" (Meninos Serão Meninos, em tradução livre), com a imagem de garotos pulando numa piscina, e de "The Boy: A Photographic Essay" (O Menino: Um Ensaio Fotográfico), que mostrava um menino nu numa praia.
Ex-mulher
A acusação também anunciou que vai chamar três novas testemunhas, mas não deu detalhes.
Os livros foram mostrados aos jurados apenas um dia depois do depoimento da ex-mulher de Jackson Debbie Rowe, que se mostrou desastroso para a acusação.
Rowe disse que considera o ex-marido um amigo e se referiu aos assessores que o cercam como "abutres" tentando explorá-lo.
Segundo ela, Jackson é um homem que é manipulado por oportunistas, que escondem informações do cantor e querem fazer milhões de dólares às suas custas.
O correspondente da BBC James Coomarasamy disse que o depoimento de Rowe ajudou a desarticular a acusação contra Jackson.
O correspondente da BBC afirma que, em vez de uma ex-mulher constrangida a elogiar uma celebridade, o que os jurados viram foi uma pessoa leal determinada a ver seus filhos e aparentemente reatar a amizade com o pai das crianças.
Michael Jackson se diz inocente das dez acusações feitas contra ele. Se condenado, o cantor pode receber uma sentença de até 21 anos de prisão.