23 de março, 2005 - 05h52 GMT (02h52 Brasília)
O advogado do cantor Michael Jackson, acusado de abusar sexualmente de um menino de 13 anos, disse que o seu cliente está sofrendo com o julgamento.
Brian Oxman disse a repórteres do lado de fora do tribunal onde o pop star sendo julgado que Jackson tem tido fortes dores nas costas e tem tido dificuldades para enfrentar o julgamento.
Na segunda-feira, o cantor chegou ao tribunal fazendo esforço para caminhar e acompanhado de guarda-costas. Ele assistiu à audiência ao lado de um médico e uma ambulância foi colocada à sua disposição.
Nesta terça-feira, no entanto, ele deixou o tribunal dizendo estar "se sentindo melhor". Ainda assim, o cantor foi mais uma vez ajudado na chegada ao tribunal, andando devagar, aparentemente sofrendo de dor nas costas.
O cantor nega as dez acusações feitas contra ele.
Telefonema de Neverland
O principal depoimento desta terça foi o da comediante Louise Palanker, uma amiga da família do menino Gavin Arvizo, que moveu o processo contra o cantor.
Palanker relatou um telefonema que recebeu da mãe de Arvizo, Janet, quando a família estava hospedada no rancho Neverland de Jackson, onde teria ocorrido o suposto abuso.
De acordo com a testemunha, Janet lhe disse que ela e os filhos estavam sendo mantidos em Neverland por pessoas "más".
"Não é uma linha segura, eles estão escutando cada palavra que eu digo. Essas pessoas são más, eles estão nos mantendo (aqui)", teria dito a mãe de Gavin Arvizo, segundo a testemunha.
"Foi uma ligação telefônica extremamente perturbadora. Eu senti que eles (a família Arvizo) estavam sendo mantidos (lá) contra a vontade", afirmou.
Louise Palanker foi chamada pela acusação para corroborar a tese de que a família foi mantida à força em Neverland depois da exibição de um documentário prejudicial à imagem do cantor em fevereiro de 2003.
No filme, Jackson aparece segurando a mão do menino que hoje o acusa e admite que deixava crianças dormir na sua cama.
A acusação alega que, depois da transmissão do documentário, que provocou a investigação de Jackson por abuso sexual, o cantor e seus assessores entraram em pânico e fizeram a família a gravar um outro filme elogiando-o.
Jackson nega a acusação e os seus advogados dizem que Janet Arvizo explorou os seus relacionamentos com Palanker e outras figuras famosas para extorquir dinheiro.
Louise Palanker admitiu ter ter doado US$ 20 mil para ajudar a família no tratamento de Gavin Arvizo, logo depois que ele foi diagnosticado com câncer, mas negou que eles tenham pedido o dinheiro.
Espera-se que nesta que é a quarta semana do julgamento os jurados ouçam ainda os depoimentos de um psicólogo e de um advogado que interrogou Gavin Arvizo pouco depois do suposto incidente de abuso.