14 de junho, 2004 - 20h43 GMT (17h43 Brasília)
Jayshree Bajoria
em Mumbai
Conservadores hindus destruíram pôsteres do filme Girlfriend, a mais recente produção de Bollywood sobre lésbicas.
Os protestantes dizem que o filme vai contra a cultura da Índia.
A produção também desagradou grupos feministas, que dizem que o filme é "um pornográfico e estereotipado retrato" de uma relação lésbica.
Ativistas do partido de direita Shiv Sena conseguiram fazer com que o filme deixasse de ser exibido nas cidades de Mumbai, Nova Delhi e Varanasi, rotulando Girlfriend como "regressivo".
Prazer
Um ativista ligado à área mais jovem do partido disse que protestos similares aconteceram há cinco anos contra o filme Fire, que mostrava o lesbianismo na Índia.
Grupos feministas dizem que o último filme - sobre ciúmes e desejo reprimido entre duas mulheres quando uma delas começa a namorar - é "altamente regressivo".
Tejal Shah, membro do Fórum contra a Opressão da Mulher, disse que Girlfriend é pornográfico e foi feito para dar prazer a heterossexuais do sexo masculino.
"Todos os mitos populares negativos sobre lesbianismo foram combinados na história do filme, e eu acho que isso vai separar a sociedade ainda mais", disse ela.
Conforme a personagem lésbica de Girlfriend se torna mais possessiva sobre a sua parceira, ela também se torna mais psicopata.
O diretor, Karan Razdan, disse que o filme fala sobre uma mulher que se torna lésbica devido às circunstâncias, e não devido a sua orientação sexual no nascimento.
"Eu não fiz um filme pró-lésbicas, mas o meu filme levantou um debate sobre o tema", disse ele.
"Se meu filme gera boa ou má publicidade, não importa. Minha intenção é começar uma discussão sobre esse assunto e fazer com que a sociedade tenha consciência que ele existe. Lésbicas deveriam ser aceitas na sociedade porque a liberdade de preferência sexual deveria ser permitida em um país livre e democrático", acrescentou.
Tejal Shah organizou o primeiro festival internacional de cinema em Bombai no ano passado, com o tema de sensualidade e pluralidade de sexos.
Ela argumenta que diretores e produtores deveriam ter liberdade para fazer o que quiserem.
"Mas eles também precisam ter responsabilidades morais", disse ela.