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17 de maio, 2004 - 02h38 GMT (23h38 Brasília)

Ian Youngs
De Cannes

Moore acusa Casa Branca de 'tentar proibir' filme

O diretor americano Michael Moore disse no domingo, em Cannes, na França, que a Casa Branca tentou evitar a produção e a distribuição do seu novo filme Fahrenheit 9/11, um documentário sobre a guerra no Iraque.

Moore acusou a administração Bush de ter tentado proibir a exibição do filme às vésperas das eleições presidenciais de novembro.

A fita traça um retrato bastante crítico do governo Bush e levanta as supostas relações entre as famílias Bin Laden e Bush.

O filme vai ter a sua estréia mundial nesta segunda-feira no festival de Cannes, que começou na semana passada.

Ainda segundo o diretor, a distribuidora Disney abandonou o contrato que tinha com a Miramax "por motivos políticos", e agora o filme será distribuído por uma terceira empresa.

Sem provas

No entanto, Moore não apresentou provas dessas acusações, mas afirmou que "uma pessoa ligada à Casa Branca" e um "alto republicano" fizeram pressão para que as empresas cinematográficas não lançassem o filme.

A Casa Branca não comentou as alegações.

O americano afirmou que os poucos que tiveram a oportunidade de assistir a fita até agora afirmaram que "o potencial de esse filme ter um impacto sobre as eleições é bem maior do que eles imaginavam".

Moore afirmou ter infiltrado cinegrafistas freelance no Iraque para entrevistar soldados americanos.

'Desilusão'

"Os soldados apresentaram a sua desilusão por terem acreditado em mentiras", disse o cineasta.

Ele revelou ainda que as imagens produzidas no Iraque são "uma parte muito importante do filme".

A Disney afirma que Moore está provocando polêmica para ganhar publicidade. Segundo os estúdios, o filme não seria exibido neste ano para que a empresa se mantivesse imparcial nas eleições de novembro.

A Disney nega ter sofrido qualquer pressão externa.