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12 de maio, 2004 - 11h50 GMT (08h50 Brasília)

Ian Youngs

Cannes tenta recuperar prestígio perdido

Com a tradicional combinação de glamour de Hollywood, excelência em vanguarda e negócios milionários, começa nesta quarta-feira, na França, o Festival de Cannes.

O evento tenta se recuperar dos fracassos do ano passado, quando foi considerado um dos mais tediosos de toda a sua história, com poucas estrelas, controvérsia e brilho.

Mas já há sinais de que neste ano todo brilho deve voltar à Riviera Francesa.

Estrelas do primeiro time de Hollywood devem comparecer em massa, como Brad Pitt, Cameron Diaz e Tom Hanks, para citar apenas os que estão concorrendo na seleção oficial.

Grandes atrações

Cannes será o local de lançamento do épico grego Tróia, no qual Pitt interpreta Aquiles. Já Shrek 2, dublado por Cameron Diaz, e The Ladykillers, com Tom Hanks, concorrem à Palma de Ouro.

Mas muita atenção deve ir não para ídolos e estrelas, mas sim para o polêmico documentarista Michael Moore, que participa com seu novo filme Fahrenheit 911 da seleção oficial.

“O mundo inteiro vai assistir a Cannes por causa de Michael Moore”, disse o editor da revista Variety, Steven Gaydos, e autor de um livro sobre o festival. “É o filme mais aguardado do ano. Acho que o evento ganhará com isso.”

O frisson causado por Cannes pode ser o ponto de partida para o sucesso ou para o fracasso dos 46 filmes que fazem sua estréia mundial lá.

Milhares de diretores, executivos e jornalistas estarão atentos para o surgimento de um novo O Tigre e o Dragão ou Tempos de Violência – filmes que se destacam dos demais e se tornam clássicos.

Um dos concorrentes a esse posto, segundo Gaydos, é o filme House of Flying Daggers, de Zhang Yimou, que mistura romance e artes marciais.

Tarantino em Cannes

Mesmo que não surja um novo Tempos de Violência, seu diretor, Quentin Tarantino, estará presidindo os jurados, e decidirá quem leva os principais prêmios do festival.

“A presença de Tarantino em Cannes será magnética”, diz o editor da Variety. “Muitas estrelas, grande controvérsia, um prestigiado presidente dos jurados; me parece tudo muito bom.”

O diretor artístico de Cannes, Thierry Fremaux, coloca filmes de artes marciais, horror ou animações – que em geral não são levados a sério – no mesmo nível de produções de vanguarda.

Fremaux, em seu primeiro ano sozinho no cargo, escolheu as melhores produções entre 3.562 trabalhos enviados, cerca de mil a mais do que no ano passado.

Os filmes escolhidos para esse ano têm “diferenças inimagináveis”, diz Fremaux. O editor da revista Sight and Sound, Nick James, afirma que neste ano a mistura de estilos deve tornar Cannes muito mais interessante. “A seleção de filmes feita no ano passado foi horrível. Estou muito mais otimista neste ano”, diz James.

Segundo James, o festival vem tentando se tornar mais aberto a norte-americanos, depois da “paranóia de críticos americanos” do ano passado.

Também há mais estreantes neste ano, em contraste com os mesmos diretores que sempre se destacavam nos outros anos.