Fãs americanos do cinema vão poder curtir seus filmes sem sexo, violência e palavrões.
A maior rede de supermercados dos Estados Unidos, Wal-Mart, está se preparando para colocar à venda um DVD player que omite automaticamente conteúdo potencialmente ofensivo.
O aparelho, que deverá custar US$ 79 (cerca de R$ 226), foi fabricado pela francesa RCA, e tem o objetivo de acalmar as crescentes preocupações nos Estados Unidos sobre a liberalidade da mídia.
Mas a tecnologia para autocensura gerou protestos em Hollywood.
Sem sexo
O DVD player da RCA é o primeiro a incorporar a tecnologia da Clearplay, uma empresa com sede em Salt Lake City.
Várias empresas fornecem versões atenuadas, nem sempre legalizadas, de filmes produzidos em Hollywood, mas a Clearplay opera com um nível mais alto de sofisticação.
A tecnologia da Clearplay escaneia os filmes para localizar conteúdo "suspeito" e programa as informações em seu sistema.
Com o equipamento, os usuários podem assistir a cópias de cerca de 500 filmes de uma lista, com a garantia de que eles vão pular automaticamente qualquer parte que crianças ou pessoas impressionáveis não possam ver.
Até agora, a tecnologia Clearplay só foi usada em PCs.
A verdade nua e crua
O lançamento de um novo player, que a RCA diz ter sido produzido a pedido da rede Wal-Mart, não podia ocorrer em momento mais propício.
Desde que a cantora Janet Jackson mostrou um seio durante o popular SuperBowl, autoridades americanas estão preocupadas com o que vai ao ar.
Michael Powell, que está à frente da Comissão Federal de Comunicações, disse em um seminário sobre mídia no mês passado que os meios de comunicação no país estão mais ousados.
A comissão não brigou muito por regulamentação estatal mais rigorosa, mas impôs multas sem precedentes nos últimos meses.
Mas a tecnologia da Clearplay e de suas concorrentes enfrenta resistências de outra direção.
Um consórcio de Hollywood, que inclui alguns dos principais diretores de cinema da cidade, processaram a Clearplay, alegando que ela violou a integridade artística dos filmes.
Ao produzir, sem permissão, versões alteradas de propriedade intelectual, os censores estão, de fato, pirateando o trabalho de diretores e estúdios, alega o consórcio.
A Clearplay espera escapar por uma lacuna legal: ao invés de fazer novas versões de filmes, a empresa alega que sua tecnologia é simplesmente uma outra forma de colocar na tela um filme já existente - não é uma violação maior do que a de se avançar rapidamente um filme em vídeo dentro de casa.
O caso está sendo julgado, mas a RCA decidiu levar seus planos adiante de qualquer maneira.