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Festival de 'cinema no gelo' mostra filme brasileiro

O Festival de Cinema Sami de Kautokeino, na Noruega, deste ano está causando sensação por apresentar sessões de filmes de terror e suspense em uma tela de gelo, no meio da tundra norueguesa, mas entre as atrações da mostra estão três filmes de índios brasileiros.

"A nossa idéia é desafiar as pessoas a assistirem no meio do nada filmes com histórias assustadoras como criaturas mitológicas indígenas e monstros que comem gente", explicou a coordenadora de programa do festival, Silja Somby, à BBC Brasil.

Além dos três filmes apresentados de madrugada no drive-in gelado, a 450 quilômetros do círculo polar ártico, estão outras 80 fitas selecionadas para a mostra do povo sami – que este ano foi totalmente dedicada ao cinema indígena.

Entre obras de índios da Austrália, Alasca, Nova Zelândia, Estados Unidos, Peru e México, estão os três vídeodocumentários dirigidos por índios brasileiros.

Do calor para o frio

Em Marangmotxíngmo Mïrang (Das crianças Ikpeng para o mundo), que vai ser apresentado na quarta-feira aos noruegueses acostumados com temperaturas negativas, quatro crianças ikpeng do Xingú apresentam a sua aldeia em resposta à vídeo-carta de crianças da Sierra Maestra, em Cuba.

No mesmo dia, o último do festival, os noruegueses também vão ter a oportunidade de assistir a Shomõtsi, de Valdete Pinhante, em que o jovem cineasta apresenta um perfil do seu tio e, ao mesmo tempo, do dia-a-dia de sua tribo, na fronteira com o Perú.

Índios brasileiros devem participar do festival em 2005

Na segunda-feira, a mostra apresentou Wai’á Rini, O Poder do Sonho, do xavante Divino Tserewahú, em que ele revela, em uma conversa com o seu pai, detalhes do rito de iniciação dos xavantes.

As três fitas fazem parte da produção da ONG Vídeo nas Aldeias, que ensina técnicas de filmagem e edição aos índios – com financiamento da Noruega –, e já conta com cerca de dez filmes dirigidos por índios, além de outros 40 feitos com os indígenas.

2005

Na próxima edição do Festiva Sami de Cinema, no ano que vem, a participação brasileira está garantida.

"Eu tentei trazê-los neste ano, mas eles já tinham um compromisso no Rio de Janeiro. Eu realmente quero trazê-los no ano que vem", afirmou a organizadora Silja Somby.

Vincent Carelli, um dos diretores do Vídeo nas Aldeias, lamentou a coincidência de datas e se disse empolgado com uma possível participação na edição de 2005.

"Temos quatro filmes atualmente em produção", contou Carelli à BBC Brasil.

O Festival Sami de Cinema do ano que vem deve acontecer na mesma época do ano.