Efeitos especiais estão deixando Londres irreconhecível para o Natal deste ano – a capital nunca se enfeitou assim para a ocasião.
A novidade foi lançada nesta terça-feira à noite pelo roqueiro Bob Geldof, que revestiu o Arco de Wellington, no Hyde Park, com imagens de girassóis e de crianças.
Até a noite de 24 de dezembro, um total de nove prédios históricos e pontos turísticos de Londres serão “embrulhados” para presente -- entre eles, a National Gallery, o National Theatre, o museu Tate Britain e o Museu da Guerra.
As imagens foram criadas ou escolhidas por um grupo de celebridades que inclui as top models Kate Moss e Naomi Cambell, a estilista Stella McCartney, o vocalista do grupo Blur Damon Albarn e o artista plástico Damien Hirst.
Roqueiro iluminado
Batizada de Brightening Up London (um jogo de palavras que podem significar Iluminando ou Animando Londres), a iniciativa é uma idéia de Bob Geldof, que ficou famoso mundialmente, em 1985 por ter organizado o concerto Live Aid, em ajuda à Etiópia.
Atualmente, mais ativo como empresário e militante político do que como músico, ele atua em várias frentes produzindo desde programas de tv a campanhas contra a fome no mundo.
Esta não é a primeira vez que Geldof se envolve na promoção de eventos para comemorar o fim de ano em Londres.
Sua empresa foi a responsável pelos shows de fogos de artifício no Ano Novo de 2000 na cidade.
Inverno colorido
Os girassóis que ele escolheu para o primeiro “embrulho” ilustram bem a idéia por trás do agito.
Bob Geldof achou que Londres fica meio triste em dezembro, com os dias muito curtos e cinzentos no pico do inverno, e que a capital estava precisando de uma corzinha.
“Isso poderia virar uma tradição e as empresas poderiam competir para tornarem seus edifícios os melhores de Londres”, sugere ele.
A patrocinadora do evento, a empresa de telefonia celular Orange, garante que esta é o primeira iniciativa do gênero.
“Nunca ocorreu nesta escala, com tantos prédios, num período de tempo tão curto”, diz o porta-voz Stuart Campbell.
Papai Noel no gelo
Embrulhar edifícios famosos em imagens iluminadas é a mais nova adição às atividades natalinas de Londres.
Há poucos anos, a cidade ganhou um rinque de patinação no gelo no pátio interno do centro cultural Somerset House -- um dos principais exemplos de arquitetura do século 18 na capital.
O público pode alugar os patins e há professores no local para aqueles que não se garantem no fio dos patins.
Um café com vista para a pista de gelo, servindo chocolate ou vinho quente e batata assada, mantém aquecidas as pessoas que preferem o papel de espectadoras.
Engarrafamento nas calçadas
Em Londres, tradicionalmente, o clima natalino se instala já no final de novembro, quando a decoração das principais avenidas do centro comercial é apresentada com estardalhaço - geralmente, com a presença de uma celebridade da TV.
O frenesi da compra de presentes é tão grande que, em algumas ruas de comércio, como a Oxford Street, a polícia chega a montar um esquema de mão e contramão. Para pedestres.
O tráfego nas calçadas torna-se ainda mais lento porque muita gente vem ao centro da cidade especialmente para ver as vitrines de algumas lojas de departamento.
Entre as vitrines mais concorridas estão as da Fortnum & Mason, da Liberty, da Harrods, da Dickins & Jones, da Selfridges e da loja de brinquedos Hamleys.
'Cilada' natalina
Os nativos já estão acostumados, mas turistas e visitantes costumam se surpreender, e se aborrecer, com o fato de que Londres fica praticamente um deserto no Natal.
O londrino que não viaja para passar o feriadão com a família ou amigos no interior do país, ou não se refugia do frio em paraísos tropicais, acaba se enfurnando em casa até a ressaca do Natal passar, vivendo de uma dieta de comidas e bebidas altamente calóricas e maratonas televisivas.
Pára tudo, não só na capital como no país inteiro.
Museus, galerias, teatros, cinemas e a maioria dos restaurantes começam a fechar no dia 24 e só reabrem no dia 27 (o dia 26 de dezembro também é feriado na Grã-Bretanha).
O transporte público contribui, ou atrapalha, dependendo do ponto de vista.
O Metrô e os ônibus em Londres páram completamente no dia 25 e funcionam com serviço reduzido no dia 26.
Só mesmo em áreas bem centrais, como Piccadilly Circus, Leicester Square, Chinatown e Soho, a vida continua durante o feriado natalino, embora a passo mais lento.
Queima total antes do Ano Novo
Nem é preciso dizer que, nas lojas, o clímax da agitação é atingido no dia 24 (a maioria fecha às 17h), mas quem não sofre as pressões do Natal pode começar a colher os frutos já no dia 26.
Nem bem o peru esfriou na mesa e alguns estabelecimentos, como a loja de departamentos Selfridges, deslancham sua liquidação.
É o queima mais quente do ano na cidade, com descontos consideráveis, e ainda dá tempo de pescar um modelito para o Ano Novo.
Reveillon no escuro
Bem, o Ano Novo… O prefeito Ken Livingstone está fazendo um tremendo suspense e até agora vem-se recusando a confirmar se existe ou não alguma comemoração oficial programada para a virada do ano na cidade.
No mega-réveillon de 2000, o londrino tomou gosto por concertos ao ar livre e shows espetaculares de fogos de artifício (mesmo sob chuva e temperaturas na marca do zero).
Até então, o réveillon em Londres se limitava aos clubes, restaurantes e festinhas particulares.
Não, não dá para chamar de réveillon londrino a já tradicional aglomeração de bêbados e turistas desavisados na Trafalgar Square - fazendo a contagem regressiva para as badaladas do Big Ben à meia-noite; torcendo por uns foguetinhos; se jogando nas águas geladas do chafariz, quando a prefeitura não cobre as fontes com tapumes; esperando em vão que algo interessante aconteça.
Metrô grátis
A verdade é que, desde a virada do século, Londres nunca mais organizou uma festa para o público.
Até agora, a única informação que o prefeito liberou é que o metrô e os ônibus circularão durante toda a noite de 31 e que o transporte público será gratuito a partir das 23h na noite de Ano Novo.
Fora isso, os patrocinadores da nova iluminação especial de Natal nos edifícios famosos da cidade, inaugurada nesta terça-feira à noite, prometem uma surpresa para a virada do ano. E mais, não dizem.
Seja passando o réveillon num clube, num restaurante, na casa de amigos ou esperando alguma coisa acontecer em Trafalgar Square, pelo menos o transporte de volta pra casa está garantido.