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ONG critica filme de Angelina Jolie

Um filme que mostra funcionários de agências de ajuda humanitária contrabandeando armas para a CIA, o serviço secreto americano, pode colocar em risco a vida desses trabalhadores na vida real.

O alerta foi feito pelo ex-funcionário de ajuda humanitária Steve Hansch, que atuou como conselheiro dos produtores do filme Amor Sem Fronteiras.

Para ele, a versão final pode minar os esforços de agências como a Cruz Vermelha.

No filme, a personagem vivida pela atriz Angelina Jolie se apaixona por um funcionário da área, vivido por Clive Owen, e o segue em seu trabalho em zonas de conflito pelo mundo.

"Ao popularizar a imagem de membros de agências de ajuda trabalhando sob instruções da CIA, o filme pode minar seus esforços reais em campo", disse Hansch.

Hansch é pesquisador do Instituto para o Estudo de Migração Internacional da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. Para ele, o filme também falha ao retratar etíopes e cambojanos como "vítimas" dependendes de seus "salvadores de pele branca", ou como senhores de guerra brutais.

ONU

A empresa Pathe, distribuidora do filme, não comentou as críticas.

Também houve rumores de que o filme havia recebido o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas).

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan e o alto-comissário para Refugiados, Ruud Lubbers, estiveram presentes ao lançamento do filme.

O diretor do filme, Martin Campbell, disse que havia enviado uma cópia inicial do roteiro para a aprovação da ONU.

Mas um porta-voz da organização disse que a ONU nunca fez nenhum comentário sobre o filme e que apenas recebeu o roteiro para dar informações estatísticas sobre refugiados.

"É um filme, uma ficção de Hollywood, nunca quis se fazer passar por um documentário", afirmou um porta-voz da agência para Refugiados da ONU.

"Todo o contexto do trabalho de agências humanitárias é desconhecido do público em geral. Se o filme dá uma idéia melhor dos desafios envolvidos no trabalho, talvez isso seja uma coisa boa", disse.