Muita gente perdeu a cabeça na Torre de Londres. Literalmente.
Essa fortaleza e palácio real funcionava como prisão e cenário de execução de traidores, que entravam ali de barco pelo Traitor’s Gate (o portão dos traidores, no Tâmisa).
Nas masmorras da torre sofreram não só o zé-povinho como também nobres, reis e rainhas julgados protagonistas de conspirações.
Os nobres eram, geralmente, decapitados; a plebe, sentenciada a enforcamento seguido de esquartejamento.
Vão-se as cabeças, ficam as jóias
Os espetáculos grotescos eram animadamente acompanhados pelo público. Longe dos olhos da platéia, uma área interna do palácio era reservada às execuções de uns poucos “privilegiados” – na verdade, apenas sete, ao longo da história.
Entre eles, duas mulheres do rei Henrique VIII, Ana Bolena e Catarina Howard.
A Torre de Londres, que conserva quase toda a estrutura da edificação original do século 13, é a fortaleza medieval mais bem preservada da Grã-Bretanha.
Apropriadamente, é ali que se encontram as jóias da coroa, expostas numa área de alta segurança, à prova de bomba, cercada de guardas por todos os lados.
A visita segue uma rota em mão única e o visitante tem que passar batido pela parte mais interessante: a que contém a coroa da rainha e os três maiores diamantes lapidados do mundo.
Deter-se em frente à vitrine ou voltar para dar mais uma espiada está fora de cogitação.
De parar o trânsito
Menos valiosa mas igualmente curiosa é a colônia de corvos que habita a Torre e é protegida por decreto real.
Segundo a lenda, o império ruirá no dia em que as aves pretas deixarem o lugar. Não há o menor risco.
As asas dos pássaros são devidamente aparadas.
Como se não bastasse seu interesse histórico, a Torre de Londres tem outro elemento de atração para turistas: a Tower Bridge.
A ponte, uma das mais espetaculares de Londres, é uma senhora centenária: completará 110 anos em 2004.
É um feito da engenharia da época, assinado pelo arquiteto Horace Jones.
Os motores originais, movidos a vapor, podem ser vistos nas torres da ponte, onde uma exposição conta sua história. Mas é programa caro e chegado ao maçante. Coisa para entusiasta.