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Banda 'apadrinhada' por Marky conquista parada britânica

O trio Kosheen se vangloria de ter saído de Bristol, cidade britânica que já deu ao mundo, entre outros, Massive Attack e Portishead.

No entanto, o Kosheen pouco tem a ver com esse estilo e no novo disco, Kokopelli, foi muito além do drum 'n' bass suave que apresentou em São Paulo, no festival Skol Beats do ano passado.

A banda, que se celebrizou entre os brasileiros com um remix do DJ Marky para o hit Hide U – que até recentemente abria as apresentações do DJ –, agora está flertando com folk e com uma música de fácil consumo nas FMs.

Em entrevista à BBC Brasil, o grupo lembrou o show no Brasil, elogiou o trabalho de Marky e falou sobre o novo álbum, que já conta com uma faixa, All In My Head, no top ten da parada britânica.

Guinada

De acordo com o guitarrista da banda, Markee Substance, a mudança drástica no som do Kosheen não se deve a uma concessão comercial e o estilo do novo disco é difícil de ser definido.

"Quando se cria uma coisa nova, nenhuma velha definição soa apropriada. Nós fundimos vários elementos, o que torna muito difícil nos classificar. Não temos esse problema. Chamamos apenas de Kosheen", comenta.

As raízes eletrônicas do Kosheen parecem ter ficado para trás, a julgar pelo novo trabalho, que traz canções de acento roqueiro e, por vezes, até folk.

Foi o que transpareceu na apresentação que a banda realizou na semana passada para cerca de 60 convidados, à qual a BBC Brasil esteve presente, na torre da British Telecom, no centro de Londres.

"Nunca quisemos ser categorizados como uma banda eletrônica ou de drum 'n' bass", afirma a cantora, que se diz uma "viciada em melodias", algo que se traduziria nos artistas que tem ouvido mais recentemente – Joni Mitchell, Siouxsie and The Banshees, The Cure e o último álbum de Annie Lennox, Bare.

A cantora opina que Marky e o tratamento que ele deu ao antigo hit da banda deu um fôlego novo à música eletrônica.

"Antes de Hide U, o drum 'n' bass estave se tornando algo muito dark e inacessível para a maior parte das pessoas. Marky, com seu estilo percussivo, tornou o gênero mais humano e orgânico".

Brasil

Falando em Brasil, o grupo tem lembranças variadas a respeito das apresentações no país.

Os rapazes da banda destacam a beleza das mulheres que viram em São Paulo, mas Sian destaca os imensos contrastes da cidade.

"Ficamos em um hotel sofisticado, tomando coquetéis e coisas assim. Mas, no caminho do show, fiquei estarrecida com a pobreza abjeta que vi e como ela contrastava com a riqueza do centro financeiro de São Paulo", recorda.

As mazelas sociais brasileiras não impedem, no entanto, que os membros do grupo queiram voltar ao país. "Não chegamos a conhecer o Rio, espero que alguém nos convide para tocar por lá", diz Markee Substance.