23 de novembro, 2006 - 18h52 GMT (16h52 Brasília)
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) decidiu nesta quinta-feira bloquear por tempo indeterminado a assistência técnica pedida pelo Irã para a construção de um reator nuclear que, segundo Teerã, seria usado para produzir isótopos médicos.
O conselho diretor da agência decidiu pelo bloqueio por unanimidade após dias de debate, mas fontes diplomáticas ouvidas pela agência de notícias Reuters disseram que a decisão deixa margem para uma reavaliação do pedido iraniano no futuro.
"A decisão do conselho está muito ligada à confiança na natureza pacífica do programa iraniano", disse o diretor da agência, Mohamed El-Baradei, acrescentando que a avaliação pode mudar se "essa confiança for restabelecida".
De acordo com a agência oficial iraniana Irna, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manuchehr Mottaki, disse, porém, que o projeto do reator, que será construído em Arak, a 200 km de Teerã, continuará com ou sem a ajuda da AIEA.
"A AIEA tem certos deveres com o Irã. Se eles cumprirem os seus deveres, isso será apreciado. Se não, nós vamos fazer sozinhos", disse o chanceler iraniano.
Teerã diz que o seu programa nuclear é voltado para a geração de eletricidade ou, no caso do reator de Arak, para fins médicos.
Os Estados Unidos e outros países temem que a tecnologia seja usada para desenvolver plutônio para uso em armas nucleares.
Passos 'na direção certa'
O Irã tem resistido às pressões internacionais para suspender o processo de enriquecimento de urânio, tecnologia que pode ser usada na fabricação de armas nucleares.
Por outro lado, na mesma reunião em que foi tomada a decisão sobre o projeto de Arak, Baradei disse ao conselho que Teerã havia tomado "passos na direção certa", citando como exemplo o fato de o governo iraniano ter permitido que os técnicos da agência inspecionem equipamentos e documentos relacionados ao seu programa nuclear.
Baradei insistiu, no entanto, que o país ainda deve uma explicação completa sobre o desenvolvimento do seu programa dos anos 1980 até hoje.
O Irã pediu assessoria técnica da AIEA para a construção do reator, alegando que é responsabilidade da agência assegurar que todos os programas nucleares sejam seguros.