26 de julho, 2006 - 19h13 GMT (16h13 Brasília)
Cientistas da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, acreditam poder usar nanotecnologia e doses de calor para tratar células com câncer.
O tratamento vem sendo testado por pesquisadores que relacionaram altas temperaturas com a resistência de células afetadas por câncer de testículos.
A temperatura nos testículos é levemente mais baixa que os 37º C do resto do corpo. Por isso, quando essas células se espalham para além dos testículos, elas se mostram supersensíveis ao calor, e são mais facilmente tratadas por cromoterapia e radioterapia, disseram os cientistas.
Em artigo na revista da Associação Médica Americana, eles batizaram este comportamento de “efeito Lance Armstrong”, em referência ao ciclista que conseguiu se curar de um câncer desse tipo.
Como Armstrong, outros homens que sofrem da mesma doença são capazes de vencê-la, apesar das contrariedades.
Os cientistas querem aplicar a terapia com calor em outros tipos de câncer.
Nanotecnologia
Segundo o coordenador da pesquisa na John Hopings Medical School, Robert Getzenberger, o calor, ou hipertermia, é uma maneira conhecida de tratar o câncer. O problema é que as aplicações têm de ser direcionadas para células específicas do corpo humano.
Os pesquisadores crêem ter encontrado as respostas no campo da nanotecnologia, a tecnologia aplicada a escala muito pequenas.
A idéia é desenvolver partículas de ferro microscópicas – “nanopartículas” – que possam ser atraídas por características específicas encontradas na superfície da célula.
Uma vez “anexadas”, elas podem ser aquecidas, enfraquecendo as células cancerosas e tornando-as mais suscetíveis à cromoterapia ou radioterapia.
As células saudáveis não seriam afetadas.
Getzenberger afirmou que a técnica está sendo testada em animais com câncer de próstata.
O diretor de informação do câncer da organização britânica Câncer Research, Ed Yong, disse que o tratamento será “bem-vindo” se for bem sucedido.
“Para ser eficiente, o calor deve ser direcionado apenas para células cancerígenas, e a nanotecnologia pode ser uma forma de fazer isto”, ele disse.
“Este é um campo da ciência muito excitante, que pode ter um papel importante na detecção e tratamento de células com câncer.”