19 de julho, 2006 - 15h03 GMT (12h03 Brasília)
A Bretanha Anglo-Saxã tinha uma sociedade onde vigorava um “apartheid”, segundo cientistas.
Uma pequena população de migrantes vindos das regiões onde hoje estão Alemanha, Holanda e Dinamarca teriam estabelecido uma sociedade segregacionista depois que chegaram à ilha da Bretanha.
Os pesquisadores acreditam que os migrantes mudaram a configuração genética da população usando a sua superioridade econômica como ferramenta.
A conclusão explicaria a abundância de genes germânicos na Inglaterra contemporânea, conforme entrevista dada à uma publicação da organização científica britânica Royal Society.
O número de pessoas que têm ascendentes paternos germânicos na Inglaterra é muito alto. Pesquisas revelaram que o gene Y germânico está presente em cerca de 50 a 100% do total no país.
Contudo, os cientistas ficavam intrigados com as evidências históricas que mostram um número pequeno de migrantes anglo-saxões.
Cerca de 10 mil e 200 mil anglo-saxões foram para a Inglaterra entre os séculos 5 e 7, quando a população nativa estava na casa dos 2 milhões de pessoas.
Divisão étnica
Para entender o que pode ter acontecido no período, cientistas britânicos usaram simulações de computador para verificar as mudanças que a configuração genética teria sofrido com um afluxo tão pequeno de migrantes.
O grupo de pesquisadores usou evidências históricas que sugeriam que os nativos britânicos tinham desvantagens sociais e econômicas substanciais em comparação com os recém-chegados anglo-saxões.
Para os cientistas, isso teria levado a um desequilíbrio reprodutivo que teria originado uma divisão étnica.
Textos antigos, como as leis de Ine, sugerem que a vida de um nativo britânico não valia tanto quanto a de um anglo-saxão.
Para Mark Thomas, biólogo do University College London (UCL), as características genéticas dos ingleses de hoje seriam explicadas pelo comportamento.
“Com as combinações envolvendo a vantagem reprodutiva de ser anglo-saxão naquela época e as possibilidades de miscigenação étnica, foi possível se chegar aos padrões genéticos e lingüísticos que vemos hoje”, disse.
“Uma elite saxã inicialmente pequena pode ter se estabelecido rapidamente tendo mais filhos que chegavam à vida adulta, graças às melhores condições econômicas e militares”.
“Nós acreditamos que eles também impediram os genes dos britânicos nativos de se misturar à população anglo-saxã ao restringir casamentos entre as etnias, num sistema segregacionista que deixou o país “germanizado” cultural e geneticamente”, afirmou.
“É isso o que vemos hoje – uma população basicamente de origem germânica, falando uma língua de origem germânica”, disse Thomas.
A pesquisa foi publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B.