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27 de junho, 2006 - 13h50 GMT (10h50 Brasília)

Raio-X do tórax 'pode aumentar risco de câncer'

Exames de raios-X do tórax podem aumentar as chances de câncer da mama em mulheres com predisposição genética, revelou uma pesquisa publicada na última edição da revista científica Journal of Clinical Oncology.

O estudo, realizado pela International Agency for Research on Cancer, da França, foi feito com 1.600 mulheres que apresentam mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao câncer da mama e do ovário.

Os pesquisadores verificaram também que a exposição aos raios-X antes dos 20 anos de idade pode trazer riscos particularmente altos.

"Este é um dos primeiros estudos a demonstrar que mulheres predispostas geneticamente ao câncer da mama podem ser mais suscetíveis a doses baixas de radiação ionizante do que outras mulheres", disse o coordenador da pesquisa, David Goldgar.

"Se isso for confirmado em estudos posteriores, mulheres jovens de famílias com histórico de mutações BRCA1 e BRCA2 podem preferir outras alternativas ao raio-X, como a ressonância magnética".

Goldgar acresentou, no entanto, que estes são resultados preliminares e que não está claro que tipo de raio-X apresenta mais riscos.

Os cientistas admitiram, também, que mulheres que sofrem de câncer da mama podem estar mais predispostas a lembrar fatos como um exame de raio-X do tórax.

Danos nas células

De acordo com o estudo, mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 que fizeram exames de raio-X do tórax apresentam 54% a mais de chances de desenvolver câncer do que as que nunca fizeram o exame.

E nas mulheres que fizeram o exame antes dos 20 anos de idade, o risco de câncer na mama antes dos 40 anos aumenta ainda mais.

Goldgar explicou que a proteína BRCA tem um importante papel na reparação de danos nas células da mama.

Portanto, mulheres que trazem mutações nos genes que controlam a produção da proteína podem ser menos capazes de reparar os danos causados pelos raios-X.

A médica Emma Pennery, da entidade beneficente Breast Cancer Care, disse que há poucos estudos sobre os efeitos de doses baixas de raio-X.

E lembrou que 90% dos casos de câncer da mama não são hereditários.