20 de março, 2006 - 22h17 GMT (19h17 Brasília)
Um grupo de cientistas trabalhando em conjunto com a Universidade de Dundee, na Escócia, conseguiu identificar o gene para a pele seca, associada a problemas como o eczema.
O gene identificado é responsável pela produção da proteína filagrina, que atua na formação de uma camada protetora da epiderme.
Os especialistas esperam que a descoberta leve a formas mais efetivas de tratar o eczema, agindo nas causas e não apenas nos sintomas.
Terapias atuais funcionam à base de emolientes, hidratantes e anti-inflamatórios.
Especialistas em Glasgow, Dublin, Seattle e Copenhague participaram do estudo, que será publicado na revista Nature Genetics.
A proteína filagrin, presente nas camadas externas da pele, impede, por um lado, a entrada de bactérias e vírus e, por outro, a saída de água, mentendo a pele hidratada.
A redução ou ausência da proteína leva à descamação e ao ressecamento da pele.
'Nova Era'
O professor Irwin McLean, do departamento de Genética Humana da Universidade de Dundee, disse que o gene em questão é conhecido há pelo menos 20 anos, mas os cientistas tinham dificuldade em analisá-lo.
"Foi um projeto muito difícil, mas como nós tínhamos experiência nesse tipo de gene, conseguimos sucesso onde outros falharam", disse McLean.
"Vemos (esta descoberta) como o nascer de uma nova era no entendimento e no tratamento do eczema".
Os especialistas dizem, no entanto, que pode demorar um pouco para que novos tratamentos sejam desenvolvidos.
O estudo mostra que, em uma parcela da população, uma mutação genética desativa o gene responsável pela produção da filagrina.
Pessoas cujo organismo produz metade da quantidade normal de filagrina apresentam sintomas leves de ressecamento.
Em casos graves, o organismo não produz nenhuma filagrina.
Os cientistas calculam que mais de um milhão de pessoas sofrem da forma grave de eczema no mundo, requerendo tratamento especializado.
Os sintomas podem ser vermelhidão, inchaço, formação de crostas, descamação e coceira.