18 de fevereiro, 2006 - 23h47 GMT (21h47 Brasília)
O governo francês confirmou, neste sábado, que um pato selvagem encontrado morto nas proximidades da cidade de Lyon foi vítima do vírus H5N1, a variante letal da gripe aviária, no primeiro caso da doença no país.
Com a confirmação da presença do vírus na França, a gripe aviária já se espalhou de países da Ásia à Alemanha, Itália, Áustria, Grécia, Bulgária, França, Irã, Iraque, Nigéria, Egito e Índia, entre outros países.
Sabe-se que o vírus pode infectar pessoas que têm contato direto com aves doentes, mas ainda não foram confirmados casos de transmissão direta entre humanos.
Cientistas temem que, caso o vírus sofra uma mutação e isso venha a acontecer, o mundo estaria à beira de uma pandemia de conseqüências potencialmente catastróficas.
Na Áustria, foram confirmados mais dois casos de mortes de aves por causa do H5N1 perto de Viena, elevando o número de casos para sete no país.
Na Indonésia, foi confirmada a morte da 19ª pessoa infectada pelo vírus.
Hong Kong
Em Hong Kong, uma ave morta também testou positivo para a doença, configurando o nono caso confirmado no território em três semanas.
As autoridades egípcias determinaram o sacrifício de 10 mil aves nas proximidades do Cairo, no dia seguinte à confirmação dos primeiros casos do H5N1 no Egito.
A França é o maior produtor de aves da Europa e se tornou o sétimo país da União Européia a sofrer contaminação pelo vírus.
Tanto a França como a Holanda já vinham pressionando a União Européia a iniciar uma campanha de vacinação preventiva em algumas áreas.
Neste sábado, o governo da Índia confirmou seu primeiro caso do vírus H5N1 no país.
Cerca de 50 mil frangos morreram nos últimos dias no distrito de Nandurbar, no norte do país. Amostras confirmaram a presença do vírus.
Sacrifício em massa
O ministério da Saúde indiano disse que não foi detectada a presença do H5N1 em humanos.
Quase meio milhão de animais na região devem ser sacrificados para evitar o alastramento da doença.
Ainda no sábado, o governo da Indonésia confirmou a 19ª morte causada por gripe aviária no país.
O homem, de 23 anos de idade, teria trabalhado em um mercado na capital do país, Jacarta, onde teria tido contato com galinhas regularmente.
Pelos cálculos da OMS, 91 pessoas de sete países morreram infectadas pelo H5N1 desde 2003.
Quase todas as vítimas fatais tiveram contato direto com aves contaminadas.
Iraque
O Ministério da Saúde do Iraque confirmou na sexta-feira que um homem foi vítima do vírus H5N1 em janeiro.
Ele é tio da primeira iraquiana a morrer com a doença, uma adolescente curda de 15 anos.
Hamasour Mustafa apresentou sintomas da gripe aviária em 18 de janeiro e morreu no dia 27 do mesmo mês na cidade de Sulaimaniya, dez dias depois de sua sobrinha.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) também afirmou que outros 14 pacientes que estavam sob observação fizeram testes que apresentaram resultados negativos.
O FAO (Fundo de Alimentação da ONU) fez um apelo aos governos da Europa Ocidental para não entrarem em pânico por causa do avanço do vírus na região.
Segundo a agência da ONU, o fato de aves migratórias estarem voltando de áreas da África possivelmente contaminadas pode representar um novo risco para a Europa.
A OMS registrou 169 casos de contágio de gripe aviária em humanos desde 2003. Foram mais de 90 mortes por causa da doença.
Quase todas as vítimas fatais tiveram contato direto com aves contaminadas.
As contaminações ocorreram no Camboja, China, Indonésia, Iraque, Tailândia, Turquia e Vietnã.
O Vietnã é o país com maior incidência. Desde 2003, 93 foram pessoas contaminadas, 42 das quais morreram.