22 de dezembro, 2005 - 23h54 GMT (21h54 Brasília)
Especialistas alertaram que os milhares de barcos doados a comunidades afetadas pelo tsunami na Ásia no final de 2004 podem estar causando mais danos que benefícios aos pescadores.
O WorldFish Center, baseado em Kuala Lumpur, na Malásia, classificou como “mal orientados” projetos que estavam fornecendo aos países afetados mais barcos do que a frota que possuíam antes do desastre de 26 de dezembro de 2004.
De acordo com o centro, há o grave risco de que os novos barcos elevem a pesca na região a patamares insustentáveis.
O problema poderia ser potencializado pelo fato de que muitas pessoas passaram a pescar depois de terem seus meios de sobrevivência destruídos pelo tsunami.
Boas intenções
“Armados com boas intenções e com dinheiro, mas sem clara coordenação e uma estratégia coerente, os esforços de reabilitação falharão”, disse a organização em um relatório sobre o assunto.
Segundo a entidade, na província de Aceh, a mais devastada pelo tsunami, cerca de 8 mil barcos foram destruídos, mas 10,8 mil embarcações novas tinham sido enviadas à região ou lá devem chegar em breve.
Para o WorldFish Center, o dinheiro seria melhor gasto na recuperação dos estoques pesqueiros, por meio da restauração de habitats marinhos, como os manguezais, e do estabelecimento de cotas de pesca.
Os recursos dos programas de ajuda também deveriam ser investidos em treinamento de outras habilidades profissionais, a fim de reduzir a dependência das comunidades do mar.
Declínio
De acordo com o centro, os estoques pesqueiros no sudeste asiático são estimados hoje em um décimo dos níveis registrados no início da década de 1970.
Segundo o diretor geral do WorldFish Center, Stephen Hall, alguns governos e grupos da sociedade civil têm se mostrado preocupados com o problema.
A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), por exemplo, recentemente suspendeu um projeto para fornecer um pacote extra de 2,4 mil barcos.
O WorldFish Centre é um centro internacional de pesquisa em recursos aquáticos patrocinado por organizações como o Banco Mundial e a FAO.