12 de dezembro, 2005 - 17h39 GMT (15h39 Brasília)
Um juiz nos Estados Unidos encerrou antecipadamente nesta segunda-feira o primeiro processo federal contra a gigante farmacêutica Merck por causa dos efeitos do analgésico Vioxx.
O magistrado decidiu acabar com a ação depois que o júri, reunido na cidade de Houston, no Estado do Texas, não conseguiu chegar a um consenso sobre se o Vioxx realmente causou ou não o ataque cardíaco que levou um homem à morte.
Os nove jurados não chegaram a um acordo mesmo depois de ter discutido a questão 18 horas por dia durante três dias.
Eles iriam iniciar o quarto dia de deliberações, mas o juiz distrital Eldon Fallon os convocou de volta à corte e declarou o encerramento antecipado do julgamento.
"Já estamos nisso a um tempo razoável. Não conseguimos um veredicto", disse o juiz. Processos federais precisam de veredictos unânimes nos Estados Unidos.
Mais de sete mil processos
A Merck está enfrentando milhares de processos devido aos efeitos colaterais gerados pelo Vioxx, um remédio usado para o tratamento da artrite. O laboratório retirou o remédio do mercado em 2004 depois que uma pesquisa descobriu que o Vioxx pode dobrar o risco de ataque cardíaco ou derrame.
O laboratório ainda enfrenta mais de sete mil processos de indenização ligados ao Vioxx, que chegou a ser um medicamento campeão de vendas da companhia.
No total, a Merck poderá ter que pagar US$ 50 bilhões em indenizações.
Em novembro um tribunal no Estado de Nova Jersey chegou ao veredicto de que a Merck deu aos médicos os alertas adequados quanto aos possíveis riscos do Vioxx.
Mas, em agosto, um júri do Texas chegou à conclusão que a Merck era responsável pela morte de um homem, ordenando que a companhia pagasse uma indenização de US$ 253 milhões (cerca de R$ 570 milhões).
Cerca de 20 milhões de pessoas consumiam o Vioxx, lançado em 1999, incluindo 400 mil na Grã-Bretanha, inicialmente para tratar dores causadas por artrite.
A Merck retirou o Vioxx, voluntariamente do mercado, em setembro de 2004.