19 de novembro, 2005 - 04h36 GMT (02h36 Brasília)
Um painel de especialistas independentes nos Estados Unidos concluiu que não há provas da ligação entre o remédio anti-gripe Tamiflu e a morte de 12 crianças japonesas que tomaram o medicamento.
"O comitê não acha, baseado na informação apresentada, que haja provas de que o Tamiflu teve um papel nas mortes", afirmou o presidente do painel, Robert Nelson, um médico do Hospital Infantil da Filadélfia.
A pedido da Agência de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) dos EUA, os especialistas reviram 75 casos sobre os quais a agência havia levantado suspeitas.
Apesar da conclusão favorável à Roche, fabricante do Tamiflu, o painel recomendou que sejam incluídas na embalagem do remédio informações sobre o risco de graves reações cutâneas – o que a fabricante já alerta ser um possível efeito colateral.
O painel também conclui que a FDA deve continuar monitorando o uso do antigripal por crianças.
O Tamiflu é considerado a principal arma para enfrentar casos de gripe aviária em seres humanos e está sendo estocado por vários governos.
Preocupações
O memorando inicialmente apresentado pela FDA mencionava 75 casos que geraram preocupações pelo uso do Tamiflu por crianças.
Entre as 12 mortes citadas, quatro delas foram descritas como repentinas e houve pelo menos um suicídio. Houve também 32 casos de surtos psiquiátricos, incluindo a ocorrência de alucinações e convulsões.
A Roche está aumentando a produção do Tamiflu para 300 milhões de doses ao ano para atender a crescente demanda pelo produto por conta da gripe aviária.
Ao contrário do que ocorre com a gripe comum, a gripe aviária tem um efeito mais sério sobre os jovens e é mais letal em crianças do que em adultos.
No início da semana, as autoridades sanitárias do Japão disseram que estavam monitorando o Tamiflu depois da divulgação de notícias a respeito de dois adolescentes que cometeram suicídio após terem tomado o remédio.