17 de outubro, 2005 - 08h09 GMT (05h09 Brasília)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme que a propagação da gripe aviária na Europa possa desviar recursos do Sudeste Asiático que, diz o órgão, é o ponto de origem mais provável de uma possível pandemia de gripe humana.
Os países europeus estão ficando cada vez mais preocupados com a gripe aviária e podem se concentrar em seus próprios preparativos para lidar com a doença ao invés de atentar para a fonte do vírus, disse o porta-voz da OMS nas Filipinas, Peter Cordingley.
A Romênia vem sacrificando milhares de aves no Delta do Danúbio depois de constatada a presença do vírus H5N1 da gripe aviária, que provocou mais de 60 mortes na Ásia.
Um laboratório na Grã-Bretanha deve anunciar nesta segunda-feira se um segundo surto de gripe aviária na Romênia é do mesmo tipo.
Teme-se que o vírus da gripe aviária possa sobrer uma mutação que facilite sua transmissão entre seres humanos.
A União Européia (UE) proibiu as importações de aves da Romênia e da Turquia, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, disse que serão introduzidas "medidas drásticas" se necessário.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar preocupado com a possibilidade de que a gripe aviária alcance o território brasileiro.
"O que me preocupa agora nem é mais a febre aftosa, que nós já temos experiência. O que me preocupa agora é a febre aviária", disse na Espanha, onde participou da 15ª Cúpula Ibero-Americana.
"Parecia que a gripe aviária não ia chegar ao Brasil e agora já há sinais de que está na Colômbia", comentou. "Essa é grave porque essa mata", acrescentou.
O governo colombiano anunciou que milhares de frangos de três fazendas do país foram contaminados com um vírus de gripe aviária do tipo H9, menos perigoso que a variedade H5N1 que se espalhou pela Ásia e tem deixado em alerta as autoridades sanitárias de todo o mundo.
O presidente Lula disse que o seu governo já se reuniu na sexta-feira para analisar os passos que devem ser tomados para evitar o contágio das aves no Brasil.
"Vamos fazer tudo o que for possível, comprar todas as vacinas e fabricar aquelas que soubermos", disse.