20 de agosto, 2005 - 08h27 GMT (05h27 Brasília)
Usuários de drogas à base de anfetaminas alteram a estrutura do cérebro fazendo com que o órgão não funcione normalmente, segundo pesquisa de cientistas americanos.
A equipe de pesquisadores da Universidade de San Diego, na Califórnia, concluiu que pessoas que usam metanfetamina tinham áreas do cérebro maiores, principalmente áreas ligadas à atenção, motivação e controle de movimentos.
Os ususários também tiveram resultados ruins em testes de funções do cérebro. Se a pessoa pesquisada tivesse o vírus HIV, causador da Aids, o problema seria ainda pior, segundo o estudo publicado na Revista Americana de Psiquiatria.
Os pesquisadores estudaram 103 adultos, alguns eram HIV positivos e outros não tinham o vírus e apenas parte dos pesquisados usavam a droga.
Os pesquisadores descobriram que entre os que tinham o HIV o volume do cérebro em áreas ligadas ao aprendizado, raciocínio e memória, parecem ter encolhido.
Voluntários
Cada voluntário passou por um exame detalhado do cérebro e completou uma série de testes que examinavam habilidades cognitivas como aprendizado e memória, facilidade de expressão verbal, processamento de informação e habilidades motoras.
Os usuários da droga apresentaram um volume maior no córtex parietal e no gânglio basal do cérebro, enquanto os usuários da droga que tinha o HIV, tinham volumes menores no córtex cerebral, gânglio basal e no hipocampo.
Todas as anormalidades estavam ligadas a performances piores nos testes cognitivos.
Segundo os pesquisadores, estas alterações podem causar problemas no cotidiano do usuário da droga.
"Em uma pessoa portadora do vírus HIV, a falha cognitiva está associada com queda nos níveis de empregabilidade e habilidades vocacionais, dificuldades em tomar medicamentos, queda na habilidade para dirigir veículos e problemas em outras atividades como o gerenciamento de dinheiro", disse Terry Jernigan, chefe da equipe de pesquisas.
"O impacto da metanfetamina no funcionamento diário do cérebro é menos estudado, mas sabemos que os usuários da droga tem deficiência na habilidade de tomar decisões", disse Jernigan.
"Este problema pode afetar potencialmente o tratamento e os esforços de prevenção", acrescentou.