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11 de março, 2005 - 21h15 GMT (18h15 Brasília)

Ressonância magnética pode tratar depressão, diz estudo

Cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, descobriram que exames de ressonância magnética feitos para capturar imagens internas do corpo podem ter o mesmo efeito de antidepressivos.

A equipe que realizou o estudo usou ratos e empregou um tipo raro de ressonância magnética, normalmente usada em exames do cérebro.

Os cientistas constataram que os animais que sofriam de estresse e que "se sentiam desamparados" conseguiram se recuperar significativamente quando expostos ao exame, segundo informações publicadas pela revista científica Biological Psychiatry.

A pesquisa foi realizada depois que médicos notaram efeitos similares em pacientes com desordem bipolar (doença que faz uma pessoa variar entre a depressão e a exaltação).

Tratamento

Bruce Cohen, que liderou a equipe de pesquisadores, disse que a descoberta pode revolucionar o tratamento de depressão.

"Os ratos se comportaram como se tivessem recebido anti-depressivos. Mas esta é uma maneira de mudar o comportamento das células nervosas sem ter de tomar medicamentos", disse Cohen. "É por isso que as implicações desse trabalho têm o potencial de serem tão profundas."

Mas William Carlezon, que também participou dos estudos, afirmou que alguns tipos de ressonância magnética podem ser prejudiciais a esses pacientes.

"É sempre importante tomar cuidado quando ressonâncias magnéticas são usadas para diagnosticar ou estudar desordens que envolvem o cérebro", disse Carlezon.

"As pessoas acreditam que nada acontece quando estão fazendo o exame, que os médicos estão simplesmente tirando uma foto do cérebro. Mas na verdade o corpo está sendo exposto a campos elétricos e magnéticos que podem causar outros efeitos que ainda não sabemos."

O especialista em psiquiatria britânico Cosmo Hallstrom, do Royal College of Psychiatrists, disse que é necessário tomar cuidado com o resultado e levar em conta que não são muitos os ratos que têm comportamentos iguais aos de pacientes.

"Nunca ouvi falar de ressonâncias magnéticas que tivessem esse efeito e nem de pessoas serem prejudicadas por esse exame. Estou surpreso com as descobertas, mas acho que ainda são necessárias mais pesquisas sobre o tema."