18 de fevereiro, 2005 - 17h36 GMT (15h36 Brasília)
A Agência Européia de Medicamentos (EMEA, na sigla em inglês) anunciou que pacientes que já tiveram ataques cardíacos ou derrames não devem tomar analgésicos inibidores de Cox-2.
A agência também afirmou que os médicos devem ser "cautelosos" ao receitar inibidores de Cox-2 a pacientes que têm risco de desenvolver doenças do coração.
Segundo a agência, pacientes que se encaixam nesse perfil e que já tomam remédios inibidores da enzima não precisam deixar de tomá-los, mas devem rever o tratamento com seus médicos.
Os remédios do tipo analisados pela agência européia são Celebra (com nome científico de celecoxib), Arcoxia (etoricoxib), Dynastat (parecoxib), Prexige (lumiracoxib) e Bextra (valdecoxib) - todos vendidos no Brasil.
Vioxx
Os remédios pesquisados pertencem à mesma categoria do Vioxx, que foi retirado do mercado em setembro de 2004 depois que um estudo mostrou que ele aumenta os riscos de derrames e ataques cardíacos.
Especialistas europeus dizem que a interrupção de tratamentos com Cox-2 não deve causar qualquer dano aos pacientes, mas que provavelmente eles precisariam de tratamentos alternativos para aliviar a dor.
Os inibidores de Cox-2 são melhores para o estômago do que antiinflamatório não-esteroidal (NSAIDs) que podem causar efeitos colaterais como úlceras e sangramento.
"Os dados mostraram um risco cardiovascular maior com inibidores de Cox-2", segundo o Comitê de Produtos Médicos para o Uso Humano da agência européia.
"O estudo também sugeriu uma relação entre a duração, a dose tomada e a probabilidade de ter algum problema cardiovascular."
Transparência
A agência disse que os médicos devem prescrever os inibidores de Cox-2 pelo menor tempo possível e com a menor dose necessária.
A EMEA também disse que remédios com a substância etoricoxib não devem ser medicados a pacientes com alta pressão sangüínea que não esteja sob controle.
De acordo com a pesquisa, novas análises sobre o efeito do Cox-2 ainda precisam ser realizadas.
"Ataques cardíacos e derrames como resultado de inibidores de Cox-2 poderiam ser evitados se companhias farmacêuticas fossem mais transparentes sobre os efeitos colaterais de seus produtos quando eles forem lançados, e se as agências reguladoras fossem mais rígidas", disse a porta-voz da Campanha para a Pesquisa de Artrite.
"Aconteça o que acontecer agora, a reputação desses medicamentos já sofreu sérios danos."
A porta-voz da Associação de Derrame disse acreditar que "há evidências crescentes que essas drogas aumentam a pressão sangüínea - um dos principais fatores de um derrame".
"No ano passado, o Vioxx foi retirado devido a esse risco. Está na hora de que todas essas drogas sejam retiradas também."