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25 de janeiro, 2005 - 17h47 GMT (15h47 Brasília)

Procriação em família explicaria origem de doenças

A procriação consangüínea ao longo dos milênios teria deixado os seres humanos mais vulneráveis a doenças de origem genética, diz um estudo da Universidade de Bath, na Grã-Bretanha.

Segundo a pesquisa, muitas das doenças de que os seres humanos sofrem hoje em dia são resultado do fato de que os ancestrais humanos não tinham muitas opções na hora de escolher o parceiro e tinham, portanto, relações com integrantes da mesma família.

Isso teria feito com que os genes ficassem ao longo dos anos desregulados, passíveis de sofrerem mutações associadas a doenças.

Se houvesse mais opções de parceiros no passado, a seleção natural teria acabado com mutações danosas nos genes, que passaram de geração para geração, avaliaram os pesquisadores, que publicaram o estudo na revista científica Public Library of Science Biology.

Evolução

Os pesquisadores estudaram como os DNAs de seres humanos, macacos, ratos e camundongos evoluíram.

Eles descobriram que regiões-chave do DNA de seres humanos foram alteradas por cerca de 140 mil mutações naturais nos últimos seis milhões de anos.

Comparado com o DNA de ratos e camundongos, o de seres humanos e chimpanzés tinha um controle muito menos cuidadoso.

Os pesquisadores acreditam que a maior parte das mutações danosas ocorreu quando havia apenas uma pequena população de hominídeos - os primatas que andavam em duas pernas e que mais tarde evoluíram para se transformar em homens e chimpanzés.

Nessa época, havia apenas cerca de 10 mil hominídeos.

Em comparação, ratos e camundongos tinham uma opção de parceiros muito maior, e mutações danosas do DNA eram rapidamente eliminadas, de acordo com o estudo, que teve a colaboração das universidades de Edimburgo e Sussex.

"Estamos acostumados a nos ver como o auge da evolução, mas perceber que roedores controlam seus genes de maneira muito mais precisa nos faz parar para pensar", disse Peter Keightley, que liderou a equipe da universidade de Edimburgo.

Mas Keightley diz que cada mutação tinha apenas um efeito pequeno e que é provável que mutações positivas tenham sido selecionadas durante a evolução humana para equilibrar algumas das danosas.

O cientista disse que os efeitos são mais preocupantes para os primatas mais próximos dos seres humanos - chimpanzés, gorilas e orangotangos - porque o acúmulo de mutações danosas é mais perigoso em populações menores.

"Eles estão em risco iminente de se extingüir", disse.