06 de dezembro, 2004 - 18h06 GMT (16h06 Brasília)
Um antibiótico usado para a lepra e a tuberculose pode ajudar no tratamento do Mal de Parkinson, segundo um estudo.
Em testes de laboratório, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, descobriram que o antibiótico rifampicina pode prevenir a formação de fibrilas de proteínas associadas com a morte das células nervosas.
Os cientistas também descobriram que o remédio dissolve as fibrilas existentes.
A pesquisa foi publicada na revista especializada Chemistry and Biology.
Resultados
Os cientistas estudaram os efeitos do antibiótico rifampicina em experimentos de laboratório e ainda estão observando os resultados em culturas de células e ratos para ver se o mesmo acontece em células vivas.
"Ainda é necessário mais trabalho para determinar se o antibiótico funcionaria no tratamento do Parkinson, mas se funcionar provavelmente será útil para prevenir a doença, antes que esta cause danos neurológicos generalizados", diz o pesquisador Anthony Fink.
"A dissolução das fibrilas existentes talvez seja o mais interessante achado desse estudo. Se funcionar em pessoas, realmente teremos chances de impedir o avanço da doença depois de ela ser diagnosticada."
Quando a pessoa sofre do Mal de Parkinson, as células do cérebro que contêm o neurotransmissor dopanima vão morrendo aos poucos.
A Parkinson's Disease Society disse que a pesquisa é "muito interessante".
"A descoberta parece estar apenas no começo, mas parece muito positiva", afirma o porta-voz da associação Robert Meadowcroft. "No entanto, é importante lembrar que mais testes de laboratório são necessários para determinar qual o real potencial do antibiótico na prevenção da doença."
"Se tudo der certo até a conclusão dos testes, incluindo testes com animais, então será possível fazer testes com pessoas no futuro."