24 de setembro, 2004 - 09h04 GMT (06h04 Brasília)
Uma paciente de câncer que ficou estéril em razão da quimioterapia conseguiu dar à luz após um tratamento "revolucionário", afirmam médicos da Bélgica.
Tecido do ovário da mulher belga, hoje com 32 anos, foi retirado e congelado há sete anos, antes da quimioterapia, e reimplantado no ano passado.
Ela engravidou naturalmente e deu à luz esta semana na Clínica Universitáiria Saint-Luc, de Bruxelas, segundo a publicação científica The Lancet.
Os pesquisadores dizem que deve-se oferecer o mesmo tratamento a todas as mulheres jovens com câncer.
Milhares de mulheres que sofrem de infertilidade em decorrência do combate ao câncer poderiam voltar a conceber com esse novo procedimento.
Uma porta-voz da clínica belga disse que a mãe, Quarda Touirat, e seu bebê passam bem.
Touirat havia se submetido a quimioterapia para tratar um linfoma de Hodgkin.
Ética
"Nossas descobertas abrem novas perspectivas para jovens pacientes de câncer que sofrem de falha prematura do ovário", disse o professor Jacques Donnez, que comandou o estudo na Universidade Católica de Louvain, em Bruxelas.
Há, porém, discussão ética sobre o eventual uso do mesmo tratamento para vencer a menopausa.
As mulheres nascem com um total de óvulos – normalmente cerca de um milhão – que vão morrendo ao longo da vida até a menopausa, quando sobram muito poucos para garantir a possibilidade de gravidez.
A nova técnica envolve a remoção de uma camada de 1 a 2 milímetros do ovário e cortá-la em partes, que são depois congeladas em nitrogênio líquido a uma temperatura de quase 200 graus Celsius negativos.
O tecido pode ser depois transplantado para qualquer parte do corpo e ainda funcionar.
Os óvulo poderiam depois ser removidos e utilizados num tratamento de inseminação artificial, mas, no caso belga, o tecido foi reimplantado no final das trompas de falópio, possibilitando uma gravidez natural.