13 de julho, 2004 - 07h05 GMT (04h05 Brasília)
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, atacou a falta de compromisso de governos do mundo todo na luta contra a Aids e pediu que os países se unam para prover liderança e recursos para combater a doença.
Em entrevista à BBC em Bangcoc, na Tailândia, onde acontece a 15ª Conferência Internacional sobre a Aids, ele disse que a luta contra o terrorismo estava ofuscando a epidemia da doença.
Annan se mostrou desapontado com os Estados Unidos e a Europa que, segundo ele, não estão fazendo o suficiente para ajudar o Fundo Global de Combate a Aids.
Annan perguntou onde está a "solidariedade internacional" contra a Aids em uma época em que bilhões de dólares estão sendo investidos na luta contra o terrorismo internacional.
Projetos
Em tom de reprovação, Annan apontou os Estados Unidos como sendo um país particularmente lento na doação de recursos.
Ele se disse frustrado que parte dos US$ 15 bilhões prometidos pelo governo americano para programas de combate à Aids fora dos Estados Unidos não estão sendo direcionados ao Fundo Global.
"Eu esperava que pelo menos US$ 1 bilhão por ano fosse usado por meio do Fundo Global", disse Annan.
"Além disso, esperava que a União Européia pudesse colocar outro US$ 1 bilhão, e então tentaríamos levantar mais recursos de outras fontes."
"Isso não aconteceu", lamentou Annan.
Segundo Annan, com US$ 4 bilhões ou US$ 5 bilhões, seria possível manter o fundo funcionando para os próximos cinco anos.
"Se cada governo começar a criar suas próprias iniciativas, eles começam do zero, leva mais tempo, o dinheiro que eles reservam para isso não será usado por muito tempo", queixou-se o secretário-geral da ONU.
O principal conselheiro do presidente americano, George W. Bush, para a Aids, Anthony Fauci, disse que as críticas são injustas e que os Estados Unidos já são os maiores contribuidores para os esforços de combate à Aids.
Falso debate
O Fundo Global foi concebido por Kofi Annan como um meio de combater as doenças que mais matam no mundo. Ele é financiado por doadores privados e governos dos países ocidentais.
Annan também afirmou que Bush está preocupado com o impacto da Aids, mas que precisava alocar recursos para a luta contra a doença.
Sobre os assuntos abordados na conferência de Bangcoc, Annan criticou o que ele chamou de falso debate sobre qual seria a melhor maneira de prevenir o avanço da doença: abstinência ou uso de preservativos.
Segundo o secretário-geral da ONU, essa discussão não ajuda em nada, já que ambas são formas de prevenção e têm como objetivo baixar as taxas da doença.