29 de junho, 2004 - 17h25 GMT (14h25 Brasília)
Caroline Ryan,
em Berlim
Uma mulher submetida a um transplante de ovário conseguiu ficar grávida, criando esperanças de maternidade para milhares de pacientes com câncer que ficaram inférteis, e também de mulheres que já entraram na menopausa, mas ainda gostariam de ter filhos.
Detalhes sobre o caso foram divulgados por médicos da Universidade Católica de Luovain, em Bruxelas, durante a Conferência Européia de Fertilidade, em Berlim.
A concepção do bebê - uma menina - foi convencional e ela deve nascer no início de outubro.
Outras equipes médicas vêm tentando fazer com que mulheres com ovários transplantados engravidem através da implantação de embriões, mas esta é a primeira vez que uma gravidez aconteceu com sucesso.
Teste positivo
A paciente foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin em 1997 e teve um dos ovários retirado e congelado antes de ser submetida à quimioterapia. O outro ovário foi deixado intacto.
Em abril de 2003 ela foi considerada curada pelos médicos e o ovário foi transplantado de volta ao seu corpo, abaixo do ovário deixado.
Quatro meses depois ela começou a ovular e menstruar normalmente.
Mas ainda não está claro se o embrião fertilizado foi gerado com um óvulo do ovário deixado no corpo ou do transplantado.
O professor Jacques Donnez, chefe da equipe responsável pela pesquisa, disse à Rádio 1 de Bruxelas que "ela (a paciente) está grávida, vivendo uma vida que jamais pensou que fosse capaz de viver".
"O filho é dela, gerado por um óvulo dela, fruto de concepção natural".
Esperança
O médico Kutluk Oktay, da Universidade de Cornell, em Nova York, um dos pioneiros em pesquisas de fertilização, disse à BBC: "Temos que saber mais detalhes sobre a pesquisa, mas parece ser um marco: uma mulher sozinha teria a chance de recuperar espontaneamente a função ovariana".
Segundo Oktay, muitas pacientes confrontadas com a possibilidade de não poderem mais ter filhos sofrem tanto como com o diagnóstico de câncer. A possibilidade de oferecer uma chance de voltar a ser fértil seria uma ajuda "tremenda".
"Ajudaria a lidar com o câncer, a ter uma atitude mais positiva nas circunstâncias em que estas mulheres se encontram".
As evidências, para Oktay, ainda são muito pequenas para recomendar a pacientes sadias que congelem seus ovários para transplantá-los novamente depois da menopausa, dando-lhes chances de ter um bebê mais tarde.
"Eu não recomendaria isso agora. Mas se for comprovado que há uma chance de 30% de gravidez - como acontece com a fertilização in vitro - por que não?".