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Código genético da ratazana 'é decifrado'

Um grupo de cientistas de seis países anunciou nesta quarta-feira ter praticamente concluído o mapeamento do genoma da ratazana comum (Rattus norvegicus).

Com o anúncio, a ratazana se torna o terceiro mamífero – depois do camundongo e do ser humano – a ter seu seqüenciamento genético descoberto.

Em um artigo publicado nesta quinta-feira na publicação científica Nature, os cientistas listam cerca de 90% do genoma do animal, contendo sequências de DNA que são a essência de sua existência.

Cientistas acreditam que a conclusão do mapeamento genético da ratazana pode ter importantes implicações na pesquisa médica.

Experimentos mais precisos

Juntamente com o camundongo, o rato é usado como cobaia em muitas pesquisas em que os cientistas estudam doenças que atingem os humanos.

De acordo com os responsáveis pelo seqüenciamento do genoma da ratazana, o animal tem um código genético de tamanho semelhante ao dos humanos, e há pares de genes correspondentes em função nas duas espécies.

O analista científico da BBC Pallab Ghosh acredita que, agora que os cientistas conhecem os genes das duas espécies, vão poder estudar e comparar os que causam doenças em ratazanas e humanos.

Isso significa, segundo Ghosh, que os experimentos para a busca de curas para doenças humanas nos animais poderão ser mais precisos, acelerando o desenvolvimento de novos tratamentos.

“Os ratos continuam sendo o principal modelo pré-clínico de doenças humanas para o desenvolvimento de novas drogas”, disse Howard Jacob, professor da Faculdade Médica de Wisconsin, nos Estados Unidos, e um dos responsáveis pela pesquisa.

“Melhores modelos com ratos vão diminuir os fracassos com novas drogas nos testes clínicos – atualmente em cerca de 90% - , que, por sua vez, vão diminuir os custos de desenvolvimento e o tempo até que os tratamentos cheguem ao mercado.”

Inteligência

No entanto, o analista da BBC acredita que são necessários anos até que esse tipo de pesquisa genética se traduza em benefícios práticos.

A ratazana é considerada mais inteligente do que o camundongo, e é usada com mais freqüência em pesquisas sobre comportamento – como as que envolvem o uso de labirintos.

A descoberta pode, dessa forma, ajudar os pesquisadores a descobrir mais facilmente genes responsáveis por traços de personalidade como a agressividade ou a inteligência, ou os responsáveis pela tendência à dependência de drogas.

Na pesquisa, os cientistas mapearam cerca de 90% dos genes da ratazana, considerados os mais importantes, por serem onde está a origem da maior parte das doenças. Os demais 10% não conteriam informações tão importantes e, no momento, não há planos de decifrá-los.