Homens de toda a Europa estão sendo recrutados para experimentar uma nova forma de contracepção que está sendo objeto de um grande estudo.
Nesse novo tratamento, é colocado um implante sob a pele que libera o hormônio feminino progesterona para reduzir temporariamente a produção de espermatozóides.
São ministradas também injeções do hormônio masculino testosterona a cada três meses para que o homem mantenha seu desejo sexual.
O teste, que envolve laboratórios em 14 centros na Europa, é um dos vários que esperam desenvolver uma "pílula masculina", mas vários anos serão necessários até que uma pílula do gênero esteja disponível.
Opções
Os homens que querem assumir a responsabilidade pela contracepção podem atualmente optar por camisinhas, vasectomias ou simplesmente abstinência.
Investigadores envolvidos neste estudo acreditam que o desenvolvimento de um tratamento anticoncepcional masculino oferecerá "um novo conceito" de planejamento familiar.
Eles dizem que testes anteriores sugerem que o implante pode ser tão confiável quanto a pílula anticoncepcional feminina e que não deve causar efeitos colaterais.
O tratamento, desenvolvido pelas companhias farmacêuticas Schering e Organon Laboratories, inclui o implante de um tubo sob a pele que lentamente libera o hormônio feminino progesterona.
Desligando
De três em três meses, os homens recebem também injeções intramusculares do hormônio masculino testosterona.
A combinação dos dois hormônios desliga temporariamente os sinais normais do cérebro que estimulam a produção de espermatozóides.
Mas também desliga a própria produção de testosterona do homem. Por isso são necessárias as doses suplementares do hormônio para mantê-lo saudável e manter a sua energia sexual.
Uma vez que um homem abandona o tratamento, os níveis hormonais, e por conseguinte a produção de espermatozóides, regressariam ao normal.
No próximo teste, os homens receberão diferentes combinações de hormônios para ver qual é a mais eficaz.
Uma vez descoberta a combinação de hormônios mais eficaz, os investigadores terão de realizar mais testes, numa escala maior, antes de o tratamento ser autorizado.
Produção de esperma
Pierre-Marc Bouloux, que lidera a investigação no Royal Free Hospital de Londres, disse à BBC: "Nós estamos à procura de combinações diferentes de hormônios para ver se podemos reduzir a produção de espermatozóides a um nível que seja seguro e atingir o objetivo da infertilidade reversível."
Ele acrescentou que, "em vez de definir como sucesso a ausência de gravidez, que pode ser afetada por muitos fatores, estamos a olhar mais para os níveis de produção de espermatozóides".
Um porta-voz da Associação para o Planejamento Familiar da Grã-Bretanha afirmou: "Essa é uma conquista importante nas opções contraceptivas à disposição dos casais, e nós queremos ver os resultados dos testes em todo o país."
"Muitos homens querem desempenhar um papel mais ativo na contracepção, e a associação está satisfeita com o fato de estarmos tornando isso uma possibilidade."