Uma nova pesquisa, que deve começar a ser testada em humanos, mostrou que é possível, através da terapia genética, aumentar em até 20% a massa muscular de ratos, tornando-os mais fortes e velozes.
Inicialmente desenvolvida para tratar doenças musculares, geralmente associadas ao envelhecimento, a terapia está preocupando especialistas porque pode ser usada por atletas que desejam aumentar a sua performance.
O estudo, apresentado durante o encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Seattle, consiste no uso de um vírus que leva um gene sintético diretamente aos músculos dos animais - tornando-os "super-ratos".
Lee Sweeney, da Universidade da Pensilvânia, é o principal cientista envolvido na terapia.
Ele afirmou que o estudo em ratos já está bastante avançado e a técnica já está pronta para começar a ser testada em seres humanos.
Massa muscular
"A diferença entre a terapia genética e outras formas de doping seria que ela aumenta a massa muscular por mais tempo, os ratos ficam durante meses mais fortes, e não é detectada no sangue ou na urina, como outras formas de doping. Por isso, temos motivos para nos preocupar", disse Sweeney.
O cientista contou que, em ano de Olimpíadas, ele vem sendo procurado, via e-mail, por uma quantidade enorme de atletas interessados em ser submetidos à terapia.
"Os idosos correspondem a apenas metade do grupo interessado. Os atletas nem se preocupam com os riscos que essa terapia ainda apresenta", explicou.
Os pesquisadores salientaram a importância de orgãos anti-doping e organizações como o Comitê Olímpico Internacional discutirem o problema, já que essa terapia genética pode se tornar uma realidade em breve.
"Ligar" e "desligar"
"É preciso que mostremos os benefícios dela contra doenças, mas que também não deixemos ela cair nas mãos de atletas que estragarão a beleza do esporte", disse Richard Pound, da Agência Mundial Anti-Doping e professor da Universidade McGill.
Os vírus, conhecidos como AAV, são manipulados em laboratório.
Os cientistas retiram o seu material genético e substituem-no pelo gene de seu interesse - no caso, um fator de crescimento semelhante à insulina chamado IGF-1.
"Esse gene modificado foi injetado no músculo dos ratos, aumentando a performance", disse Sweeney.
O cientista relatou ainda ter conseguido "ligar" e "desligar" o gene dentro dos músculos, reduzindo os riscos de os ratos desenvolverem problemas já previamente associados à terapia genética, como o aparecimento de câncer e doenças sanguíneas.