As mães que têm uma dieta pobre antes de dar a luz podem estar encurtando a vida de seus filhos, sugere um estudo feito por cientistas em Cambridge, na Grã-Bretanha, e publicada no jornal científico Nature.
A pesquisa foi feita em camundongos e descobriu que os animais gerados por fêmeas que foram alimentadas com uma dieta pobre em proteína, morriam meses antes dos que tinham um regime mais balanceado.
A doutora Susan Ozanne, que liderou o trabalho, disse que “nos dois extremos testados aqui, mudanças na dieta aumentariam a expectativa de vida em mais de 50%”.
“Em humanos, isso significaria a diferença entre viver 50 ou 75 anos.”
Pequenas mudanças, grandes conseqüências
A expectativa de vida tenderia a diminuir ainda mais se, durante o crescimento, a dieta adotada for rica em açúcar e gordura para compensar a falta de proteína.
Não está claro, no entanto, se a experiência em camundongos é um indicativo preciso do que aconteceria com humanos.
A pesquisa nos animais mostrou que pequenas variações na dieta da mãe afetam profundamente a saúde do filho.
As fêmeas foram alimentadas com uma dieta com pouca proteína durante a gravidez e algumas prosseguiram com ela enquanto amamentavam seus filhos.
Redução ainda maior
Aos 21 dias de idade, o regime dos animais foi mudado para uma dieta saudável, ou uma rica em açúcar e gordura.
Os camundongos que tiveram uma dieta normal viveram em média por 765 dias, e 50 dias a menos dos que foram alimentados com o regime rico em açúcar e gordura.
Aqueles cujas mães foram submetidas a uma dieta com menos da metade do nível necessário de proteínas, mas que foram alimentados com leite enriquecido e depois adotaram um regime normal, viveram por apenas 568 dias.
A introdução de açúcar e gordura no desmamamento reduziu ainda mais a vida dos camundongos, para 517 dias.
Curiosamente, filhotes de mães alimentadas normalmente, mas que receberam menos leite enriquecido após o nascimento, viveram por mais tempo mesmo quando uma alimentação gordurosa foi introduzida no desmame.