O primeiro dos dois veículos rover americanos enviados para Marte deve pousar no planeta neste domingo, depois de uma viagem de seis meses partindo da Terra.
O robô de seis rodas tem o tamanho de um carrinho de golfe e foi batizado de Spirit.
A entrada na atmosfera de Marte é o principal desafio da viagem, como mostrou a recente tentativa de mandar outro robô de pesquisas para o planeta, o britânico Beagle 2.
O Spirit é um dos dois veículos que vão procurar provas de um dia Marte já foi capaz de abrigar vida.
Seu par, o Opportunity, vai tocar o solo de Marte do outro lado do planeta, no fim de janeiro. Os rovers vão percorrer o planeta e examinar as rochas em uma missão de três meses para a mapear a história da água em Marte.
Alta ansiedade
A Nasa programou o rover para enviar informações sobre o progresso de seu pouso no planeta desde a entrada na atmosfera marciana.
Uma série de notas musicais vão dizer aos controladores no solo se o pára-quedas do veículo e os airbags de pouso estão funcionando propriamente.
Na hora do pouso, a nave vai ter que reduzir de uma velocidade de 19 mil km/h para zero em seis minutos e esta manobra tem que ser realizada sem falhas.
"Vão ser os seis minutos do inferno... vai ser alta a ansiedade", disse Ed Weiler, administrador associado de ciência espacial da Nasa.
"Marte é um local extremamente difícil para pousos... alguns o chamam de planeta morte."
Steve Squyres, um dos principais cientistas envolvidos na missão, acrescentou: "Uma rajada de vento, uma rocha pontuda e poderemos ter uma noite realmente ruim".
Geólogo de campo
O Spirit se dirige à cratera Gusev, ao sul do equador de Marte, que um dia pode ter abrigado um lago.
O veículo está equipado com câmeras e instrumentos científicos criados para estudar a geologia da área.
Ele deve passar por cima das rochas que pareçam interessantes, colher amostras e analisar os minerais.
A missão não procura diretamente encontrar vida em Marte; o objetivo é descobrir quais foram as condições do planeta no passado, para analisar se poderia ter abrigado formas de vida.
Hoje, Marte é frio e seco. Mas antigos leitos de rio secos e outras rochas que parecem ter sido escavadas por água, quando vistas da órbita, sugerem que o planeta pode ter tido um passado mais hospitaleiro à vida.
"Nós vemos estas pistas intrigantes de que Marte pode ter sido um local diferente no passado distante", disse Sqyres.
Depois de pousar na superfície do planeta, o rover vai fazer uma checagem em todo o sistema e enviar informações para a Terra.
A primeira foto a ser enviada vai mostrar as rodas do veículo, as outras vão mostrar o trem de pouso e o terreno em volta.
O veículo só vai começar o trabalho depois de uma semana, quando tiverem sido checados outros equipamentos.