Países em desenvolvimento que querem usar a tecnologia para diminuir a exclusão social terão que conseguir dinheiro e pagar pelos equipamentos sozinhos.
Negociadores que participaram de reuniões preliminares à Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação da ONU não conseguiram chegar a um acordo para criar um fundo especial que pudesse ser usado para bancar projetos do tipo em todo o mundo.
Durante as conversas, chegou-se ao consenso de que países africanos devem unir seus recursos para investir nessas iniciativas, mas os governos europeus, do Japão e do Canadá concordaram apenas em estudar a idéia de criar o fundo.
A cúpula da ONU, com a presença de representantes de 150 países, começa nesta quarta-feira, em Genebra, na Suíça.
Questão de dinheiro
''Cada país percebe que precisamos de novos recursos para acabar com a exclusão digital do mundo. Alguns querem criar os recursos e outros querem, pelo menos, analisar o fundo. Foi uma luta difícil'', disse Marc Furrer, chefe do Escritório Federal de Comunicação suíço, que estava mediando as negociações pré-cúpula.
Um acordo a ser assinado no encontro deve determinar que os países analisem e mandem de volta, até dezembro de 2004, seus relatórios a respeito da idéia de se estabelecer um fundo comum, gerenciado pela ONU.
Até lá, os países africanos estão livres para captar recursos entre eles e criar um fundo para financiar os projetos.
Muitos países esperavam conseguir na cúpula ajuda financeira de nações ocidentais para estabelecer e aplicar projetos ligados à tecnologia.
A questão de quem paga pelo quê foi um dos pontos polêmicos das negociações preliminares.
Espera-se que o acordo e um plano de ação fechados durante a cúpula possam facilitar o acesso à internet e a adoção da tecnologia em projetos nas áreas da educação, da saúde e outras.
Qualquer outra questão que não seja resolvida na cúpula em Genebra será levada para a segunda fase das negociações, na Tunísia, em 2005.