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Falta vontade política para conter Aids, diz Annan

O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse em entrevista exclusiva à BBC que o mundo está perdendo a luta contra a epidemia de HIV/Aids porque falta vontade política para combater a doença.

"Eu me sinto com raiva, angustiado e impotente por viver em um mundo onde nós temos todos os meios, os recursos, para podermos ajudar todos os pacientes – o que está faltando é vontade política", afirmou Annan.

Segundo o secretário da ONU, os líderes mundiais – tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos – "não estão suficientemente engajados" na luta contra o vírus que já infectou 40 milhões de pessoas e matou outras 3 milhões, de acordo com as mais recentes estimativas da Unaids, a agência da ONU para a doença.

Annan disse que, embora muitos governos já tenham identificado a Aids como uma ameaça à segurança nacional, eles não estão dando à epidemia a mesma atenção que reservam ao terrorismo, por exemplo.

"Para as pessoas que vivem em alguns dos países afetados, a Aids é uma verdadeira arma de destruição em massa – o que nós estamos fazendo a respeito?"

"Isso realmente indica uma frieza incrível que ninguém esperaria que houvesse no século 21."

Cobrança

Annan fez um apelo para que as populações cobrem ações dos seus governos contra a doença.

O secretário, de origem ganense, criticou, por exemplo, a omissão de governos africanos em relação à conscientização da necessidade do uso da camisinha.

Sem citar nomes, ele contou o caso de um líder africano que se recusou a fazer um discurso que orientava as pessoas a usar preservativos.

"Ele disse: 'Eu não posso expressar a palavra camisinha. Eu sou o pai da nação. Você não pode me pedir para encorajar a juventude a ser promíscua'. Mas isso significa salvar vidas!'"