Quando e como a mente humana se desenvolveu?
Essas são duas das grandes perguntas com as quais pesquisadores da Universidade de Liverpool e Southampton, na Inglaterra, vão lidar a partir de outubro.
Eles vão iniciar o projeto batizado de "Lucy To Language: The Archaeology Of The Social Brain" ("De Lucy à Linguagem: A Arqueologia Do Cérebro Social", em tradução livre).
Lucy é o apelido dado ao fóssil do ancestral humano Australopithecus Afarensis, um hominídio encontrado na Etiópia.
Financiamento
O financiamento concedido ao projeto fica na casa dos milhões de libras e é o maior já concedido pela British Academy.
Arqueólogos, psicólogos, antropólogos sociais, sociólogos e lingüistas vão se juntar na pesquisa.
Eles tentarão reconstruir a vida social de nossos ancestrais para entender precisamente como eles se comportavam usando evidência arqueológica de ossos e ferramentas e fazendo comparações com humanos modernos e outros primatas.
Novos modelos desenvolvidos para entender o comportamento dos primatas podem ser aplicados às evidências encontradas de nossos ancentrais.
Isso deveria nos ajudar a entender como nossos cérebros se desenvolveram desde os tempos de Lucy, que viveu na África há aproximadamente quatro milhões de anos.
Não é apenas o fato de nosso cérebro ter aumentado três vezes, mas também a maneira como o usamos, que nos distancia de Lucy.
"Há trinta anos, a evolução era apenas um tema para arqueologistas", explica o professor John Gowlett, da Universidade de Liverpool.
Agora, diz ele, o foco está mudando de ossos e pedras para o cérebro social dos humanos.
A equipe multidisciplinar vai procurar as origens do discurso, música e religião.
"É nossa mente e não nosso corpo que nos fez humanos e nos possibilitou as conquistas que tivemos", disse o professor Robin Dunbar, que lidera o projeto, também da Universidade de Liverpool.
Seres superiores
O professor Gowlett vai investigar as interações sociais de nossos ancentrais a partir de traços de incêndios daquela época.
O tamanho e a distribuições de corações ancentrais e os artefatos encontrados ao redor deles oferecem pistas sobre as atividades dos primeiros humanos.
Outro ponto crucial da pesquisa será a investigação da criação e prática comum da religião.
"A religião social é uma das muitas atividades complexas nas quais estamos engajados. A religião nasceu com o Homo Sapiens."
Ele acredita que a religião emergiu pela primeira vez entre 200 mil e 50 mil anos atrás.
A British Academy é a instituição britânica que financia projetos de ciências humanas e sociais, parceira da Royal Society, que cuida das ciências naturais.
O financiamento para o projeto Lucy vai se estender pelos próximos sete anos.