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Animais podem provocar novo surto da Sars

Um estudo feito na China reforçou temores de que animais contaminados com um vírus parecido com o da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) podem causar um novo surto da doença que matou centenas de pessoas no início do ano.

Cientistas de Hong Kong e da província de Guangdong, na China, encontraram pessoas e animais carregando o mesmo tipo de vírus na China.

Guangdong foi o primeiro lugar a registrar casos da Sars, antes de ela se espalhar por 30 países, infectando 8 mil pessoas e matando pelo menos 900.

O estudo, cujos resultados foram publicados jornal científico Science, foi feito em um mercado de rua em Guangdong, onde se acredita ter originado a doença.

São geralmente animais de pequeno porte – como o furão, o gato-de-algália e outras espécies de roedores – que os chineses comem.

Quase iguais

Os cientistas compararam amostras do vírus da Sars encontrado em humanos com o vírus encontrado nos animais e concluíram que eles têm uma semelhança de 99,8%.

"Nossas descobertas sugerem que os mercados fornecem uma via para o vírus de animais se amplificarem e serem transmitidos para novos hospedeiros, incluindo humanos", afirmaram os cientistas.

No entanto, os especialistas disseram que não é possível afirmar que a doença se originou nesses animais. Eles podem ter contraído um vírus de uma outra espécie selvagem, ainda não identificada.

Para o pesquisador Guan Yi, a descoberta mais importante do estudo é o que ele considera a confirmação da teoria de que a Sars passou de outros animais para o homem.

Segundo a agência France Presse, descobrir o animal que teria originado a doença ganhou uma nova urgência diante das suspeitas de que a doença seja sazonal e pode voltar no inverno do hemisfério norte.

Defensores de direitos dos animais aproveitaram a discussão para pedir às autoridades da China para que proíbam de vez o comércio de animais selvagens – medida que, dizem, beneficiaria animais e humanos.

Ainda segundo a France Presse, temores de que a doença volte levou a empresa Genelabs Diagnostics, de Cingapura, a desenvolver um kit que poderia detectar a Sars em 15 minutos.

Os cientistas estavam procurando por uma concentração de coronavírus de onde o vírus pode ter passado de animais para humanos.