Mulheres que tomam a droga ecstasy nos primeiros estágios da gravidez podem estar colocando a vida de seu bebê em risco, de acordo com um novo estudo.
Pesquisadores nos Estados Unidos encontraram evidências de que a droga pode levar a distúrbios comportamentais e até danos cerebrais nas crianças antes de nascerem.
A teoria dos cientistas, publicada na revista especializada Neurotoxicity e Teratology, é baseada em pesquisas em ratos que receberam altas doses de ecstasy.
Estimativas indicam que cerca de 3 milhões de europeus já tomaram ecstasy uma vez na vida.
Popularidade
A droga é bastante popular entre os jovens e freqüentadores de casas noturnas e festas rave em países como a Grã-Bretanha, onde cerca de 500 mil pessoas tomam a droga todos os fins de semana.
Levantamentos indicam que 15% dos europeus entre 15 e 24 anos já experimentaram a droga, comparados a apenas 1% dos com mais de 35 anos.
Ainda não há dados concretos sobre quantas mulheres ingerem a droga durante a gravidez.
Os cientistas acreditam que muitas delas param de consumi-la quando descobrem que estão grávidas.
No entanto, muitas podem estar colocando a vida do bebê em risco no início da gestação, quando ainda não têm a certeza de que esperam um bebê.
Estragos
Jack Lipton, do Centro Médico Rush-Presbyterian-St.Luke, em Chicago, realizou testes em ratas grávidas para saber quais são os estragos que a droga pode provocar.
As ratas receberam ecstasy duas vezes ao dia, durante seis dias. Um outro grupo de animais não recebeu a droga.
Os cientistas analisaram os ratos nascidos das mães dos dois grupos 21 dias após o nascimento.
Os ratos expostos ao ecstasy ainda no útero da mãe apresentaram cinco vezes mais índices da substância dopamina em seus neurônios no córtex frontal do cérebro.
O córtex frontal é responsável por aptidões como planejamento, controle do impulso e atenção. Níveis elevados de dopamina nesta região são associados a doenças como a esquizofrenia.
Os cientistas perceberam um processo semelhante na região do cérebro responsável pelo movimento e pela memória.
Os pesquisadores também perceberam distúrbios comportamentais nos ratos que receberam o ecstasy.
Os animais tiveram, por exemplo, mais dificuldade de se adaptar a novos ambientes.
"Sugerimos que crianças cujas mães tomaram a droga durante a gestação sejam monitoradas", avaliou Lipton.