Cientistas britânicos desenvolveram uma forma de monóxido de carbono para ajudar na recuperação de vítimas de ataques cardíacos.
O monóxido de carbono é mais conhecido em sua forma gasosa – trata-se de um dos gases liberados por carros, altamente tóxico e letal.
Mas a substância desenvolvida pelos pesquisadores da Universidade de Sheffield e do Instituto de Pesquisa Médica de Northwick Park, chamada CORM-3, libera uma baixa concentração de moléculas de monóxido de carbono.
Outros estudos já provaram a presença de moléculas de monóxido de carbono no sistema cardiovascular dos mamíferos – a substância é produzida durante a oxidação da heme, o pigmento do sangue.
Testes
Segundo os cientistas, as moléculas de monóxido de carbono podem proteger as células do coração da falta de oxigênio e de outros problemas físicos que ocorrem quando uma artéria fica bloqueada – processo que pode levar ao enfarte.
Nas experiências realizadas, o grupo de pesquisadores desenvolveu células cardíacas em laboratório que, em seguida, eram deixadas sem oxigênio por 24 horas.
Algumas dessas células eram colocadas em uma solução contendo moléculas que produzem o CORM-3; outras células eram simplesmente deixadas para se "recuperarem" naturalmente.
O estudo mostrou que as células que receberam o CORM-3 se recuperaram melhor que as demais.
Testes semelhantes foram realizados usando corações de animais, e os resultados também atestaram para o potencial reparador da droga.
Vida útil
Os cientistas também acreditam que o CORM-3 possa atuar prolongando a vida útil de órgãos para transplantes.
"Essa substância mostrou ser uma promessa real para um novo medicamento para ajudar a tratar doenças cardíacas, além de poder ser utilizada em transplantes de órgãos e como antiinflamatório", afirmou Brian Mann, um dos pesquisadores da Universidade de Sheffield envolvidos no estudo.
"As possíveis aplicações terapêuticas do CORM-3 são enormes, considerando-se a vasta gama de atividades fisiológicas do monóxido de carbono mostradas em modelos experimentais", completou o cientista.
Outro membro da equipe, Robert Motterlini, disse que no passado o monóxido de carbono era famoso por ser uma substância de difícil uso na medicina.
"Em sua forma gasosa, é difícil fazer com que ele atinja uma determinada região do corpo em uma concentração adequada, pois ele é tóxico e pode danificar as células quando inalado por muito tempo", disse Motterlini.