De dentro do Hospital do Coração Narayana Hrudayalaya, na cidade de Bangalore, no sul da Índia, vê-se uma cena extraordinária.
O diretor do hospital, Dr. Devi Shetty, não está na sala de operações. Ao invés disso, ele está sentado em uma cadeira com um controle remoto na mão, conversando com o que parece ser um simples monitor de televisão.
Na verdade, é um vídeo que liga o Dr. Shetty, em uma transmissão via satélite, a um hospital a milhares de quilômetros dali, em Calcutá.
Na tela aparece uma contínua procissão de pacientes com problemas cardíacos e seus acompanhantes.
Um por um, os pacientes falam com o Dr. Shetty por satélite e recebem um diagnóstico objetivo ou uma recomendação de como proceder seu tratamento.
Em seguida, seu colega, o Dr. M. Natesh, senta-se diante de outra tela que mostra chapas de raios-X e outras informações já obtidas sobre os pacientes.
Assim, o Dr. Shetty já fica municiado com todas as informações que ele precisa para fazer um diagnóstico rápido.
Diagnóstico à distância
Alguns são pacientes novos, outros utilizaram esse serviço à distância várias vezes.
Aos aflitos pais de uma criança doente, o Dr. Shetty promete enviar dinheiro para que eles possam vir ao encontro dele em Bangalore para uma cirurgia. A outro paciente, a recomendação é de que evite alimentos gordurosos.
Um médico em Calcutá, Swagath Chowdhuri, está ao alcance dos pacientes - alguns deles pobres e analfabetos - e informa ao colega de Bangalore quais os medicamentos que os clientes já usaram.
A telemedicina começou a ser utilizada na Índia há dois anos, assim que se percebeu que a maioria dos especialistas se concentra em umas poucas metrópoles no país.
Notou-se ainda que, na maioria das vezes, não se requer cirurgia para os males que se apresentam.
A Organização Indiana de Pesquisa Espacial, sediada em Bangalore, ajudou com recursos financeiros.
O Hospital do Coração Narayana Hrudayalaya tem agora 13 terminais de comunicação via satélite com hospitais distantes na Índia e para transmissões por via terrestre para lugares como a Malásia.
Serão criadas também ligações com a Tanzânia, Bangladesh e mesmo com o Paquistão.