Representantes de 25 países se reuniram nesta quinta-feira nos Estados Unidos para discutir o Sistema International de Observação da Terra.
O projeto deve levar cerca de dez anos para ser desenvolvido e começaria pelos países ricos, sendo gradualmente estendido para os mais pobres.
O governo americano apresentou o projeto como um sistema para conhecer melhor os danos que o homem causa ao planeta, mas críticos da política ambiental americana alegam que tudo não passa de um pretexto para adiar a adoção de medidas para proteger o meio ambiente.
O secretário de Estado americano, Colin Powell, e o diretor da Nasa (agência espacial americana), Sean O'Keefe, tentaram convencer os presentes no debate da necessidade de implementar o projeto, cujo custo ainda é desconhecido.
O encontro contou com a participação de representantes do G-8 (grupo dos países mais industrializados do mundo), do Banco Mundial, da Organização Mundial Metereológica, entre outras organizações multilaterais.
O argumento americano é que, com maior conhecimento sobre a Terra, os governos poderão tomar decisões mais bem-informadas sobre políticas ambientais.
'Desculpa'
A idéia do projeto é reunir dados de diversas fontes, tornando o trabalho que os cientistas já fazem mais sistemático.
Mas grupos de ambientalistas e parte da comunidade científica temem que o governo de George W. Bush utilize o projeto como uma desculpa para não tomar nenhuma atitude em relação ao aquecimento global.
Eles dizem que a coleta de mais dados é sempre importante, mas ressaltam que já há provas suficientes de que as temperaturas da Terra estão aumentando e que é preciso fazer algo para interromper esse processo.
Bush conquistou a antipatia dos ambientalistas em 2001, quando anunciou a retirada dos Estados Unidos do Protocolo de Kyoto, documento no qual os países signatários se comprometeram a reduzir a sua contribuição na poluição do planeta.
O presidente americano alegou, à época, que a redução prejudicaria a economia do país, que é o maior poluidor do mundo.
Depois de dois anos dizendo que não havia provas suficientes de que o aquecimento global estava ligado à ação humana, o governo americano acabou admitindo, no ano passado, que a emissão de gases poluentes provoca o chamado efeito estufa.
Isso, porém, não fez o país rever a sua posição em relação ao protocolo.